Prefeitura nega falta de médicos em UPA após denúncia de paciente que morreu
Ao mesmo tempo em que o município destaca que não há defasagem de profissionais da UPA Justinópolis, imagens registradas por Brenda Larissa Maia mostram consultórios vazios e corredores lotados de pacientes

A Prefeitura de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, afirmou que não há defasagem de profissionais da UPA Justinópolis. A afirmação do Executivo municipal é uma resposta aos vídeos registrados por Brenda Larissa Maia, de 32 anos, que denunciou a ausência dos profissionais na unidade, pouco antes de morrer.
Nas imagens, às quais a Itatiaia teve acesso, Brenda mostra paredes desgastadas e outros pacientes nos corredores, que aguardavam atendimento médio. Dentro dos consultórios, no entanto, não havia médicos, enfermeiros ou técnicos. No vídeo, Brenda chega a bater na porta de quatro salas diferentes e todas estão vazias.
Veja o vídeo:
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A Secretaria Municipal de Saúde informou, em nota enviada à reportagem, que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Justinópolis conta por plantão com uma equipe médica completa: 10 médicos de plantão, sendo quatro profissionais clínicos, um médico emergencista, pediatras, cirurgião e ortopedista. "Não há defasagem de profissionais na unidade", escreveu.
A pasta ainda destacou que os profissionais citados "não permanecem exclusivamente nos consultórios, atuando além do atendimento espontâneo da porta em outras frente assistenciais da unidade, como reavaliações e avaliações de pacientes em observação, acompanhamentos clínicos de pacientes internados nas enfermarias e atendimentos de urgência e emergência, conforme a demanda dos pacientes".
Por fim, afirmou que, atualmente, o espaço passa por obras de reforma e adequação "com o objetivo de aprimorar a estrutura e proporcionar qualidade no atendimento à população".

'Demora e negligência', diz outro paciente sobre UPA
Depois da morte de Brenda, um outro paciente denunciou situações de demora e de negligência no atendimento na UPA Justinópolis. O vendedor Joacir Pereira Cramer, de 41 anos, foi até a unidade de saúde na última semana, enquanto sentia dores abdominais e alega que mesmo sendo o único paciente a ser atendido, esperou três horas até a assistência médica.
Para a Itatiaia, Joacir disse que esteve na unidade de saúde na noite de quinta-feira (4), com sintomas de dores abdominais. "Cheguei para ser atendido e não tinha ninguém na minha frente, minha ficha era a próxima", contou. Porém, ao reclamar da demora no atendimento, ele revelou ter sido orientado por profissionais da saúde que poderia ser atendido em até duas horas, visto a ficha tinha a classificação "verde", que significa não ser emergência.
"Custei a esperar, mas com muita dor esperei. Nesse período passou duas horas, fui reclamar com a enfermeira e ela disse: 'você pode voltar que, em duas horas, eu vou te atender. Não tem médico, não tem como te atender agora'. Só depois de três horas eles me atenderam", relatou Joacir.
Após o atendimento, o paciente apontou que recebeu medicação por 40 minutos e foi liberado. "Era só aplicar o remédio, a UPA estava vazia. É negligência mesmo".
Durante o relato, Joacir alegou ter medo de ir à UPA Justinópolis que, segundo ele, é conhecida pela demora no atendimento e ausência de profissionais.
Relembre o caso
Brenda Larissa Maia, de 32 anos, morreu em 6 de junho, após busca atendimento na UPA Justinópolis. Momentos antes do óbito, ela registrou vídeos denunciados a ausência de médicos na unidade de saúde.
Ela procurou atendimento médico depois de sentir dores no peito e inchaço no corpo. A família dela divulgou que Brenda tinha diagnóstico de fibromialgia e cardiopatia.
Acompanhada pela mãe no momento da internação, ela chegou a receber oxigênio enquanto aguardava atendimento. Brenda começou a gravar vídeos denunciando a situação da unidade: corredores lotados, paredes desgastadas e consultórios vazios.
Brenda saiu sozinha da área onde estava sendo atendida e percorreu corredores da UPA em busca de ajuda, mas não resistiu e morreu. A família dela constesta o atestado de óbito. Inicialmente, a informação recebida era de que Brenda teria sofrido uma embolia pulmonar.
Porém, de acordo com pessoas que trabalham na unidade e conversaram com a família, Brenda teria passado mal e caído no corredor da UPA. Depois, o irmão dela afirmou que a Prefeitura de Ribeirão das Neves divulgou que a mulher teve uma parada cardiorrespiratória.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



