O que acontece com tatuagens ao longo dos anos? Dermatologista explica impacto do envelhecimento
Com o envelhecimento, desenhos apresentam mudanças naturais; sinais de alerta incluem manchas, elevações, feridas que não cicatrizam e coceira persistente

Com o passar dos anos, tatuagens podem perder definição, apresentar mudanças na intensidade das cores e adquirir um aspecto mais difuso. Segundo o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, essas alterações estão relacionadas ao envelhecimento natural da pele e às mudanças no pigmento.
“A pele é um tecido vivo e está em constante transformação. Ao longo dos anos, há redução de colágeno e elastina, alterações na espessura e na firmeza da pele e mudanças relacionadas à flacidez, ao ganho ou à perda de peso”, explica o médico. Além disso, parte do pigmento pode ser gradualmente removida ou redistribuída pela atividade das células do sistema imunológico.
A exposição solar é um dos fatores que mais influenciam o envelhecimento das tatuagens. A radiação ultravioleta acelera as alterações da pele e favorece o desbotamento dos pigmentos. “O cuidado mais importante ao longo da vida é a fotoproteção. Usar protetor solar regularmente nas áreas tatuadas, além de manter a pele bem hidratada e evitar exposição solar excessiva, contribui para preservar melhor tanto a pele quanto o aspecto da tatuagem”, orienta Miranda.
Quando a pele ao redor do desenho apresenta sinais de envelhecimento, alguns tratamentos dermatológicos podem ajudar a melhorar a textura e a firmeza. A indicação, porém, deve ser individualizada, principalmente no uso de lasers e outras tecnologias que podem interagir com os pigmentos. “Nem todo equipamento deve ser aplicado diretamente sobre uma área tatuada”, alerta o especialista.
Para quem deseja clarear ou remover uma tatuagem, existem lasers específicos que fragmentam os pigmentos para que o organismo os elimine progressivamente. Uma das tecnologias utilizadas é o Fotona StarWalker, que trabalha com pulsos de alta energia e diferentes comprimentos de onda para atingir diversos pigmentos. Segundo o dermatologista, a resposta ao tratamento e o número de sessões dependem da cor, da profundidade e da composição do pigmento, além da localização e das características do desenho.
Miranda também destaca a importância de observar mudanças na pele tatuada ao longo dos anos. Manchas, elevações, feridas que não cicatrizam, coceira persistente ou alterações em uma pinta dentro ou próxima ao desenho devem ser avaliadas por um dermatologista. O pigmento pode dificultar a percepção visual de algumas lesões, por isso, o acompanhamento da saúde da pele continua sendo necessário mesmo em regiões tatuadas.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



