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Baixa vacinação deixa Brasil em alerta para novos surtos de sarampo

Nenhum estado atingiu a meta de imunizar 95% das crianças com duas doses da vacina. Avanço da doença nas Américas e casos registrados no país reforçam a preocupação das autoridades de saúde.

Por, Brasília
Baixa cobertura vacinal mantém Brasil em alerta para o sarampo.
Baixa cobertura vacinal mantém Brasil em alerta para o sarampo. • Tânia Rêgo/Agência Brasil

A baixa cobertura vacinal mantém o Brasil em alerta para a reintrodução e a disseminação do sarampo. Apesar de o país ter recuperado, em novembro de 2024, o reconhecimento internacional de território livre da circulação endêmica da doença, os índices de imunização permanecem abaixo do recomendado para impedir a transmissão sustentada do vírus.

Em 2026, nenhum estado brasileiro atingiu a meta de vacinar 95% das crianças com as duas doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A cobertura nacional da segunda dose permanece abaixo de 80%. 

O cenário preocupa especialistas diante do avanço da doença em outros países das Américas e da possibilidade de casos importados provocarem novos surtos no território brasileiro.

De acordo com o Ministério da Saúde, até 19 de outubro de 2026, o Brasil havia confirmado 61 casos de sarampo, distribuídos entre São Paulo, Amazonas, Rio de Janeiro e Acre. Desse total, 44 estavam associados a surtos ativos e 17 a surtos já encerrados.

O alerta brasileiro acompanha o aumento de infecções em outros países. Os Estados Unidos registram, em 2026, o maior número anual de casos em mais de 35 anos. Mais de 90% dos infectados são pessoas não vacinadas ou sem informação sobre a situação vacinal, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Na região das Américas, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram a maior parte dos casos confirmados neste ano, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

A circulação internacional de pessoas aumenta o risco de introdução do vírus no Brasil, especialmente em comunidades onde a vacinação está incompleta. A situação exige vigilância epidemiológica, identificação rápida de casos suspeitos e atualização das cadernetas de vacinação.

Em 2019, o país perdeu a certificação de eliminação do sarampo após registrar transmissão sustentada da doença por mais de 12 meses. Naquele ano, foram confirmados mais de 20 mil casos. A recertificação ocorreu em novembro de 2024, depois da interrupção da circulação endêmica.

Vacina é a principal forma de prevenção

A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Pelo calendário de rotina, a primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de idade, e a segunda, aos 15 meses.

A proteção completa é fundamental para reduzir a circulação do vírus. A primeira dose oferece proteção de aproximadamente 93% contra o sarampo, enquanto duas doses elevam a eficácia para cerca de 97%.

O Ministério da Saúde orienta que pessoas com doses em atraso procurem uma unidade de saúde para conferir a caderneta e atualizar a vacinação conforme a idade e as recomendações do Programa Nacional de Imunizações.

Em áreas com maior risco de transmissão, as autoridades também podem intensificar as estratégias de imunização, incluindo ações de busca ativa, monitoramento de contatos e bloqueio vacinal.

O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa. Os sintomas iniciais incluem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite. Entre três e cinco dias após o início dos sintomas, podem surgir manchas vermelhas na pele, que geralmente começam no rosto e se espalham pelo corpo.

A doença pode provocar complicações graves, principalmente em crianças pequenas, pessoas desnutridas e indivíduos com imunidade comprometida.

Diante de sintomas compatíveis, a orientação é procurar atendimento de saúde e informar a suspeita aos profissionais. A vacinação, aliada à vigilância epidemiológica, é considerada a principal estratégia para evitar a disseminação do vírus e preservar a eliminação da circulação endêmica no Brasil.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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