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Baby blues ou depressão pós-parto: como perceber a diferença? Ginecologista explica

Depressão pós-parto é uma condição de saúde mental que deve ser tratada por um médico, enquanto baby blues é caracterizado principalmente por sobrecarga e oscilações de humor; veja sintomas

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Mãe com sinais aparentes de cansaço com bebê descansando ao fundo
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Tristeza, ansiedade e oscilações de humor podem surgir nos primeiros dias após o nascimento de um bebê. Embora sejam comuns, esses sintomas nem sempre indicam depressão pós-parto. Pode se tratar de um quadro de baby blues.

“O chamado baby blues, ou tristeza materna, é muito comum. Os estudos mostram que ele atinge algo entre 40% e 80% das mulheres nos primeiros dias após o parto. Aparecem choro fácil, irritabilidade, sensibilidade à flor da pele, ansiedade e oscilações de humor”, afirma a ginecologista e obstetra Gisele Maciel, mestre em Saúde da Criança e da Mulher.

Segundo ela, a mulher pode estar feliz com a chegada do filho e, ao mesmo tempo, sentir-se sobrecarregada ou chorar sem saber exatamente o motivo.Os sintomas do baby blues costumam atingir o pico entre o terceiro e o quinto dia após o parto e desaparecem espontaneamente em até duas semanas.

“O baby blues não é um transtorno psiquiátrico e não precisa de remédio. O que faz diferença é descanso, apoio prático e acolhimento. Proteger o sono da mulher é uma das medidas mais importantes, e isso significa dividir de verdade as tarefas da noite e da casa”, explica Gisele.

Diferenças em relação à depressão pós-parto

Já a depressão pós-parto é uma condição de saúde mental que exige diagnóstico e tratamento. Entre os sinais estão tristeza profunda e persistente, perda de interesse em atividades, culpa excessiva, desesperança, alterações importantes no sono e no apetite, dificuldade de concentração e cansaço constante. “Algumas mulheres sentem dificuldade de se conectar emocionalmente com o bebê, o que costuma aumentar ainda mais a culpa”, diz a especialista.

A depressão também pode se manifestar de outras formas. “Nem sempre se apresenta como tristeza. Em muitas mulheres, o que predomina é ansiedade intensa, preocupação que não desliga, irritabilidade ou crises de pânico. A ansiedade perinatal é tão frequente quanto a depressão e também merece tratamento”, afirma. A condição pode começar ainda na gestação ou surgir nas semanas e nos meses seguintes ao nascimento, ao longo do primeiro ano.

A especialista reforça que a depressão pós-parto não é falta de amor pelo bebê nem sinal de fraqueza. Entre os fatores de risco estão histórico de depressão ou ansiedade, falta de rede de apoio, dificuldades financeiras, violência doméstica, parto traumático e privação intensa de sono. O tratamento pode incluir psicoterapia, apoio familiar, atividade física, cuidados com o sono e medicamentos, quando indicados. “Existem antidepressivos seguros durante a amamentação, e amamentar não deve ser impedimento para tratar”, destaca a ginecologista.

Como lidar com pensamentos intrusivos

A médica ressalta que não é necessário esperar duas semanas para buscar ajuda quando os sintomas são intensos. Ela também chama a atenção para os pensamentos intrusivos, como imagens involuntárias de algo ruim acontecendo com o bebê.

“Esses pensamentos são muito mais comuns do que se imagina, causam horror justamente porque vão contra o que a mulher deseja e, nessa forma, não indicam risco de que ela vá fazer algo”, explica. Para Gisele, conversar com a equipe de saúde sobre essas experiências é um passo importante para aliviar o sofrimento.

Pensamentos de morte, vontade de se machucar ou intenção de fazer mal ao bebê exigem avaliação urgente. Confusão mental, delírios e alucinações após o parto também podem indicar psicose puerperal, uma emergência médica. Nesses casos, a orientação é procurar um pronto atendimento ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192. “A mulher importa por ela mesma, e cuidar dela é também cuidar do bebê e de toda a família”, conclui Gisele.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

 

 

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