Creme Nivea na lata azul para tratar queimaduras? Entenda por que seu uso não é recomendado
Produto tem ganhado força como uma alternativa de loção pós-sol; especialista alerta para riscos

O creme Nivea da latinha azul é um clássico do mundo dos cosméticos, fazendo parte da rotina de milhões de pessoas pelo mundo. Para além de um hidratante potente, o produto tem ganhado força como uma loção para tratar queimaduras solares.
Ao longo dos anos, este creme já foi usado para tudo: hidratar a pele, mãos e pés ressecados, áreas irritadas e, como mencionamos, como um creme corporal após exposição solar e até mesmo como protetor solar. No entanto, especialistas vêm criticando o seu uso.
O que dizem os especialistas
Em entrevista para o portal espanhol Okdiario, o farmacêutico Vicente Calduch se debruçou sobre o uso do produto e afirmou que o creme Nivea não deve ser considerado um tratamento específico para queimaduras solares.
Ele explica que a confusão não surge sem motivo. O creme azul é famoso pelo seu alto poder de hidratação, de modo que ele costuma deixar uma sensação calmante na pele após a aplicação, o que leva algumas pessoas a pensarem que também estão "reparando" os danos causados pelo sol. Mas, na realidade, não é assim que funciona.
Como explica Calduch, sua fórmula foi desenvolvida para manter a pele hidratada, não para tratar lesões causadas pelo sol. "A composição do Creme Nivea inclui uma combinação de agentes emolientes, hidratantes e oclusivos que contribuem para manter a hidratação da pele após a exposição solar”, afirma.
Ou seja, o creme ajuda a evitar que a pele resseque demais após a exposição solar. Ingredientes como a glicerina ajudam a pele a reter água, e outros componentes oleosos ajudam a criar uma barreira que impede a perda de umidade. Isso explica por que muitas pessoas sentem a pele mais macia e confortável após a aplicação.
O problema surge quando as pessoas vão além e pensam que ele também pode tratar queimaduras. Segundo o farmacêutico, entretanto, o produto não possui ingredientes específicos para tratamento de queimaduras ou danos causados pela radiação ultravioleta.
Por que não deve ser usado como um creme para queimaduras solares
Quando a pele sofre queimaduras solares, os problemas vão além do simples ressecamento. Há inflamação, vermelhidão e, em alguns casos, até dor ou descamação, que funcionam como uma reação do corpo ao excesso de radiação.
Nesses casos, o objetivo não deve ser apenas hidratar a pele, mas também acalmar e recuperar a barreira cutânea. Por isso, existem produtos específicos, como loções pós-sol ou certos cremes formulados especificamente para este tipo de tratamento, que incluem ingredientes calmantes ou regeneradores.
É aí que a latinha azul da Nivea falha, pois pode até aliviar a sensação de pele repuxada, mas ela não resolve o problema. Além disso, não apenas é ineficiente contra queimaduras, como também não protege contra o sol. Ou seja, aplicá-lo antes da exposição solar não previne as queimaduras solares.
O que os especialistas recomendam
Para proteger a pele durante a exposição solar, deve-se usar protetores solares, e não hidratantes. "Os cremes adequados para exposição solar são aqueles que incorporam filtros solares capazes de absorver, refletir ou dispersar a radiação ultravioleta", explica Vicente Calduch.
Esses produtos são formulados especificamente para preservar a pele contra os efeitos do sol, protegendo contra os raios UVA e UVB e reduzindo o risco de queimaduras solares.
Entretanto, ter um protetor solar não é o suficiente, sendo necessário saber qual é a aplicação correta. O ideal é aplicá-lo antes de se expor ao sol e reaplicá-lo outras vezes ao longo do dia, especialmente após nadar ou suar.
Além disso, o produto deve ser utilizado diariamente, mesmo em dias nublados, porque a radiação solar continua presente.
No fim, o creme Nivea na latinha azul continua sendo uma opção bastante útil para o dia a dia, sendo um ótimo hidratante. Entretanto, assim como todos os produtos, ele possui suas limitações.
Ele pode ajudar na hidratação da pele após a exposição solar, mas não deve ser usado como um protetor solar nem como um tratamento para queimaduras solares. E entender essa diferença é um passo ideal para cuidar da sua pele da maneira correta.
Leia também: Saiba como minimizar os efeitos das queimaduras do sol
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



