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Obesidade: por que os genes têm mais impacto hoje do que há 50 anos

Estudos revelam que mudanças no ambiente e no estilo de vida potencializaram a influência genética sobre o ganho de peso nas últimas décadas

USP procura voluntários para pesquisa de obesidade  • Banco de imagens/ Canva

A influência da genética sobre a obesidade nunca foi tão evidente quanto nos dias atuais. Embora os genes das pessoas não tenham mudado significativamente nas últimas décadas, pesquisadores afirmam que o ambiente moderno ampliou o impacto da herança genética no desenvolvimento do excesso de peso.

Especialistas ouvidos pelo site de notícias argentino Infobae explicam que, há cerca de 50 anos, fatores genéticos já desempenhavam um papel importante no metabolismo, no apetite e na forma como o organismo armazena gordura. No entanto, a realidade era diferente. A alimentação era menos industrializada, o consumo de ultraprocessados era menor e a rotina exigia mais movimento físico. Nesse contexto, muitas predisposições genéticas permaneciam “adormecidas”.

Hoje, a situação mudou radicalmente. A combinação de alimentos altamente calóricos, porções maiores, sedentarismo e hábitos cada vez mais associados ao conforto tecnológico criou um ambiente que favorece o ganho de peso. Segundo cientistas, esse cenário permite que características genéticas relacionadas à obesidade se manifestem com muito mais intensidade.

Ainda de acordo com o Infobae, pesquisas apontam que pessoas com predisposição genética tendem a responder de forma diferente aos estímulos do ambiente. Algumas sentem mais fome, têm maior dificuldade para perceber a saciedade ou apresentam um metabolismo que favorece o acúmulo de gordura. Em um mundo repleto de alimentos acessíveis e ricos em calorias, essas diferenças tornam-se ainda mais relevantes.

Os cientistas explicam que a obesidade não pode ser atribuída apenas à falta de disciplina ou força de vontade. Atualmente, ela é reconhecida como uma condição complexa, resultado da interação entre fatores biológicos, genéticos, ambientais e comportamentais. Essa visão tem ganhado força na comunidade médica e ajudado a combater o estigma enfrentado por milhões de pessoas.

Estudos também indicam que a herança genética pode responder por uma parcela significativa da propensão ao excesso de peso. Algumas estimativas sugerem que entre 40% e 70% das características associadas à obesidade possuem relação hereditária. Essa influência pode afetar mecanismos ligados ao apetite, ao gasto energético e à forma como o corpo processa os alimentos.

Vale lembrar que a ciência comprova que os genes não determinam sozinhos o destino de uma pessoa. Diversas pesquisas já demonstraram que alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, qualidade do sono e acompanhamento médico permanecem como fatores fundamentais para prevenir e controlar a obesidade.