Belo Horizonte
Itatiaia

Nova caneta emagrecedora surpreende ao reduzir gordura no fígado em quase 60%

Estudo publicado em revista científica internacional avaliou 216 adultos com obesidade e gordura hepática

Por
Dados foram divulgados em meio a uma transformação no mercado das chamadas canetas emagrecedoras • stefamerpik/Freepik

A corrida entre os medicamentos para tratamento da obesidade acaba de ganhar um novo capítulo. Dados apresentados por pesquisadores indicam que a survodutida, uma medicação ainda em desenvolvimento, conseguiu reduzir em quase 60% a gordura acumulada no fígado de pacientes com obesidade, um resultado que chama a atenção por ir além do emagrecimento.

O estudo, publicado na revista científica Nature Medicine, avaliou 216 adultos com obesidade e acúmulo de gordura no fígado. Ao final do acompanhamento, cerca de 84% dos participantes que receberam a survodutida apresentaram redução de pelo menos 30% da gordura hepática. Entre os pacientes que usaram placebo, esse percentual ficou em pouco mais de 24%.

Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a normalização da gordura no fígado em parte significativa dos voluntários. Aproximadamente seis em cada dez pacientes encerraram o estudo com níveis considerados normais, enquanto o grupo placebo registrou resultados muito inferiores.

Além da redução da gordura hepática, a medicação apresentou melhora em marcadores relacionados à inflamação e a lesões no fígado. Os resultados reforçam o potencial do tratamento para atuar em problemas metabólicos frequentemente associados à obesidade.

Os dados foram divulgados em meio a uma transformação no mercado das chamadas canetas emagrecedoras. Se a primeira geração desses medicamentos ficou conhecida pela capacidade de promover perda de peso expressiva, a nova fase da disputa busca demonstrar benefícios mais amplos para a saúde, incluindo a proteção de órgãos e a redução de complicações metabólicas.

A survodutida também apresentou resultados importantes em relação ao peso corporal. Em estudos de fase 3, participantes perderam, em média, 16,6% do peso após 76 semanas de tratamento. Pesquisadores observaram ainda redução da gordura visceral e preservação da massa muscular, fatores considerados importantes para a saúde metabólica.

Especialistas, porém, ressaltam que os resultados devem ser interpretados com cautela. Embora os números sejam considerados promissores, ainda serão necessários novos estudos para comparar diretamente a survodutida com outros medicamentos já disponíveis e para confirmar se os benefícios observados no fígado se traduzem em vantagens clínicas de longo prazo.

Vale lembrar que a doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica é uma condição frequentemente ligada ao excesso de peso e que pode evoluir para quadros mais graves quando não tratada.

Por

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.