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Fiocruz e Universidade Stanford estudam impacto das cesarianas na saúde de mães e bebês

Pesquisadores brasileiros e americanos vão investigar os riscos associados ao excesso de cesarianas, incluindo complicações graves para mães e recém-nascidos

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Mulheres, com idade mínima de 21 anos, poderão fazer a laqueadura durante o período de parto 
 • Ilustrativa | Pixabay

Uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Stanford, nos Estados Unidos, vai investigar os impactos das altas taxas de cesarianas sobre a saúde de mulheres e recém-nascidos. A iniciativa também pretende analisar casos de morbidade materna grave, desigualdades no acesso à saúde e os efeitos dessas condições nos dois países.

A colaboração foi ampliada durante visita das pesquisadoras da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Maria do Carmo Leal e Ana Paula Esteves-Pereira à instituição norte-americana. Segundo Maria do Carmo, coordenadora da pesquisa Nascer no Brasil, o objetivo é promover a troca de experiências na área da saúde materna e perinatal, além de compreender estratégias que ajudaram a Califórnia a reduzir as taxas de cesariana.

De acordo com a pesquisadora, o interesse de Stanford na parceria está relacionado aos elevados índices de cesarianas registrados no Brasil, o que torna o país um importante campo de estudo para avaliar os efeitos desse tipo de parto sobre mães e bebês.

A cooperação prevê a análise de dados preliminares da pesquisa Nascer no Brasil 2 e de estudos desenvolvidos pela universidade americana. Também estão previstas comparações entre os cenários brasileiro e norte-americano, intercâmbio de pesquisadores e estudantes, além da elaboração de projetos e publicações conjuntas.

Durante os encontros, um dos temas centrais foi a cesariana realizada antes do início do trabalho de parto, especialmente em gestações consideradas de baixo risco. Os pesquisadores discutiram as consequências desse procedimento para a saúde materna e neonatal, além das desigualdades raciais, sociais e das diferenças entre os sistemas público e privado de saúde.

Maria do Carmo destaca que o Brasil está entre os países com maiores taxas de cesariana do mundo e que grande parte desses procedimentos ocorre antes do início do trabalho de parto. Segundo ela, o cenário está relacionado a fatores históricos da assistência obstétrica, além de desigualdades sociais e diferenças entre os modelos de atendimento.

Nos Estados Unidos, especialmente na Califórnia, políticas públicas implementadas nos últimos anos contribuíram para reduzir as taxas de cesariana para patamares inferiores a 25%, além de buscar diminuir complicações relacionadas à saúde materna.

A pesquisadora alerta que a realização excessiva de cesarianas em gestações de baixo risco está associada ao aumento de complicações para mães e bebês. Entre os problemas observados estão maior risco de parto prematuro, dificuldades respiratórias nos recém-nascidos, necessidade de internação em unidades neonatais e ocorrência de morbidade materna grave.

Outro ponto de preocupação destacado pela especialista é a hemorragia pós-parto. Segundo estudos citados por ela, mulheres submetidas à cesariana apresentam risco de morte após o parto cerca de três vezes maior do que aquelas que tiveram parto vaginal, principalmente em decorrência de hemorragias e complicações associadas à anestesia.

A parceria entre Fiocruz e Stanford teve início em 2024, com reuniões virtuais para identificar temas de interesse comum. A expectativa é que a cooperação resulte em pesquisas de maior porte, capazes de subsidiar políticas públicas voltadas à redução de desigualdades e à melhoria da assistência materna e neonatal.

 

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.