As
De acordo com os dados, 38% das mulheres relatam dificuldade para adormecer pelo menos três vezes por semana. Entre os homens, esse índice cai para 29%. Quando o foco é a qualidade do sono, a diferença se amplia ainda mais. Quase uma em cada quatro mulheres afirma ter sono agitado com frequência, enquanto entre os homens a proporção é de um para cada oito.
Um estudo publicado no periódico científico European Journal of Public Health reforça esse cenário ao mostrar que, mesmo quando homens e mulheres dormem praticamente o mesmo número de horas, elas relatam um descanso pior. Para os especialistas, isso indica que o problema tem múltiplas causas e não pode ser explicado por um único fator.
Por que as mulheres dormem pior que os homens
Segundo médicos e psicólogos especializados em sono, ouvidos pelo site Infobae, a maior vulnerabilidade feminina aos distúrbios do descanso resulta da combinação de fatores biológicos, emocionais e sociais.
O pneumologista Facundo Nogueira, chefe do Laboratório do Sono do Hospital de Clínicas de Buenos Aires, explica que a mulher atravessa diferentes ciclos biológicos ao longo da vida, todos com impacto direto no sono. Essas mudanças afetam não apenas o corpo, mas também o equilíbrio emocional.
A psicóloga Mariam Holmes destaca que fases como puberdade, menstruação, gravidez, pós parto, amamentação e menopausa interferem nos ritmos internos do organismo. Esses processos alteram a produção de hormônios como melatonina, cortisol, estrogênio e progesterona, aumentando o risco de insônia, despertares noturnos e sono não reparador. Na menopausa, o problema se intensifica e também cresce o risco de apneia do sono e doenças cardiovasculares.
Outro ponto central é a sobrecarga de cuidados. Em muitos lares, as mulheres continuam sendo as principais responsáveis pela organização da casa e pela atenção aos filhos e familiares. Esse estado constante de alerta gera ansiedade e dificulta o relaxamento necessário para dormir bem. Além disso, o cansaço feminino costuma ser naturalizado, o que faz com que o descanso seja adiado por anos.
A mente também pesa. A hiperatividade cognitiva, marcada por pensamentos acelerados, preocupações e ruminação noturna, é mais comum entre mulheres. Isso dificulta tanto adormecer quanto manter o sono ao longo da noite.
Há ainda o problema do subdiagnóstico. O médico clínico Ramiro Heredia alerta que distúrbios como a apneia obstrutiva do sono são menos identificados em mulheres, já que a condição é mais associada aos homens. Com isso, muitas deixam de receber tratamento adequado.
Somam se a isso as taxas mais altas de ansiedade e depressão no público feminino. Esses transtornos estão fortemente ligados a problemas de sono e podem criar um ciclo difícil de romper, no qual dormir mal piora a saúde mental, que por sua vez prejudica ainda mais o descanso.
Os hábitos do dia a dia também influenciam. Uso excessivo de telas à noite, atividades intensas perto da hora de dormir e horários irregulares comprometem a qualidade do sono. Um quarto escuro, silencioso e com temperatura adequada faz diferença e ajuda o corpo a entender que é hora de descansar.
Impactos na saúde
Dormir mal não afeta apenas o humor. Segundo os especialistas, o sono de qualidade é essencial para uma vida mais longa e saudável. Dormir menos de sete horas ou ter um descanso fragmentado aumenta o risco de inflamação no organismo, enfraquece o sistema imunológico, prejudica o metabolismo e eleva o risco de doenças cardiovasculares.
Nas mulheres, esses efeitos podem ser ainda mais intensos, com impactos sobre o peso corporal, a saúde hormonal e a saúde reprodutiva. No campo emocional, a privação de sono está associada a maior irritabilidade, ansiedade, depressão e dificuldade de concentração.
A falta crônica de descanso também prejudica a memória, o desempenho intelectual e a capacidade de atenção. Sintomas como sonolência diurna, dor de cabeça ao acordar e sensação de mente lenta são sinais frequentes de que o sono não está cumprindo seu papel restaurador.
Quando procurar ajuda e como melhorar o sono
Um problema de sono não se define apenas pela quantidade de horas dormidas, mas pela qualidade do descanso e pelo impacto na rotina. Dificuldade frequente para adormecer, despertares noturnos, cansaço constante, irritabilidade e dependência de estimulantes durante o dia são sinais de alerta.
Os especialistas recomendam procurar um profissional de saúde sempre que o cansaço se torna persistente. A avaliação começa em uma consulta clínica e pode envolver uma equipe multidisciplinar, com médicos do sono, psicólogos, ginecologistas e endocrinologistas.
Entre as estratégias mais indicadas estão manter horários regulares para dormir e acordar, buscar luz natural durante o dia, reduzir a iluminação artificial à noite e cuidar do ambiente do quarto. Práticas como mindfulness e meditação também têm mostrado bons resultados ao reduzir a agitação mental e facilitar um sono mais profundo e reparador.