Belo Horizonte
Itatiaia

Junho Verde: mochila pesada e uso do celular causam escoliose? Médico esclarece

Escoliose é mais comum entre adolescentes e pode passar despercebida no início

Por
Raio-x de uma pessoa com escoliose
Diagnóstico precoce é importante para preservar a coluna • Imagem ilustrativa / Freepik

A campanha Junho Verde serve para conscientizar sobre a escoliose e reforçar a importância do diagnóstico precoce. A condição afeta a coluna, que apresenta uma deformidade em três dimensões, com uma curvatura lateral e rotação das vértebras.

“Apesar de muitas pessoas acreditarem que ela (escoliose) seja consequência de má postura, trata-se de uma alteração estrutural que, na maioria dos casos, não está relacionada a hábitos posturais”, esclarece o médico ortopedista especialista em coluna vertebral Daniel Oliveira.

O profissional esclarece outros mitos sobre a escoliose. “Mochilas pesadas, uso excessivo de celulares ou má postura não causam escoliose estrutural. Embora esses fatores possam provocar dores musculares e alterações posturais transitórias, eles não explicam o desenvolvimento da maioria dos casos observados na prática clínica”.

A condição é mais comum entre adolescentes, que estão em fase de crescimento. “A forma mais frequente é a escoliose idiopática do adolescente, que costuma surgir durante o estirão de crescimento, entre os 10 e 16 anos de idade. Justamente por se desenvolver nessa fase da vida, a atenção dos pais e responsáveis é fundamental para que o diagnóstico seja realizado precocemente”.

A identificação precoce da doença é especialmente importante para preservar a coluna, evitando a progressão da escoliose. “Quanto mais cedo a deformidade é reconhecida, maiores são as chances de acompanhamento adequado e de intervenções menos invasivas, reduzindo o risco de progressão da curva e seus impactos na qualidade de vida”.

Os primeiros sinais incluem: “ombros em alturas diferentes, assimetria da cintura, uma escápula mais saliente ou a impressão de que as roupas vestem de forma desigual”. Nesse caso, os pais devem levar o adolescente a um ortopedista o quanto antes.

O tratamento varia conforme a gravidade do caso. “Casos leves geralmente exigem apenas acompanhamento periódico. Em situações intermediárias, o uso de órteses, como os coletes corretivos, pode ajudar a controlar a progressão da deformidade. Já nos casos mais avançados, especialmente quando existe risco de agravamento importante, a cirurgia pode ser indicada”.

O médico destaca que a medicina avançou e trouxe tratamentos inovadores para a doença. “Atualmente, contamos com planejamento digital, neuromonitorização intraoperatória e implantes de alta tecnologia que proporcionam maior segurança, precisão e melhores resultados funcionais e estéticos. Além disso, avanços nos protocolos de recuperação acelerada têm contribuído para uma reabilitação mais rápida e confortável dos pacientes”.

Por

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.