Vários estudos em neurociência e psicologia apontam que, após os 60 anos, muitas pessoas relatam sensação de bem-estar e satisfação com a vida. Mas por que isso ocorre?
Segundo a geriatra Simone de Paula Pessoa Lima, isso ocorre por diversos motivos. Um deles está na tendência natural do cérebro maduro de priorizar experiências positivas e diminuir o foco em estímulos negativos, algo conhecido como “paradoxo do envelhecimento”.
“Além disso, com o avanço da idade, há uma maior valorização do presente, menos preocupação com expectativas futuras e mais aceitação das próprias limitações. Muitos idosos também passam a investir mais em relações significativas e a selecionar melhor suas interações sociais, o que contribui para maior estabilidade emocional”, apontou a médica.
Para a especialista, a construção de uma velhice feliz “exige cuidado contínuo e escolhas conscientes ao longo de toda a vida”.
Cultivar relações sociais de apoio, manter hábitos saudáveis, praticar atividade física regularmente e manter uma rotina de sono adequado pode ajudar. Além disso, o preparo emocional para lidar com perdas e mudanças também ajuda. Também é essencial ter planejamento financeiro e manutenção da autonomia.
“Do ponto de vista psicológico, pessoas que cultivam propósitos, mantêm atividades significativas e preservam sua identidade ao longo dos anos tendem a experimentar maior bem-estar na velhice”, afirmou.
Velhice associada à melancolia
Muitos associam a velhice à tristeza e, segundo a médica, isso reflete estigmas sociais, e não a realidade da maioria dos idosos.
“No entanto, fatores como isolamento social, perdas afetivas, doenças crônicas, dores persistentes e redução da autonomia podem, de fato, contribuir para sintomas depressivos em alguns casos”, disse.
” Para mudar esse cenário, é necessário combater o “idadismo”, promover a inclusão ativa dos idosos na vida familiar e social, garantir acesso a cuidados de saúde integrais e fomentar políticas públicas que valorizem o envelhecimento saudável. Além disso, é importante oferecer oportunidades para que o idoso se mantenha ativo, produtivo e respeitado em sua singularidade”, concluiu.