Eli Lilly processa seis empresas dos EUA por venda ilegal de retatrutida
Farmacêutica é responsável pelo medicamento com a substância que ainda está em fase de desenvolvimento

A farmacêutica americana Eli Lilly, responsável pelos estudos em andamento com a retatrutida, processou seis empresas dos Estados Unidos pela venda ilegal da substância. O medicamento, que ainda está em desenvolvimento, será usado para tratar obesidade e diabetes tipo 2 e já ganhou popularidade nas redes sociais.
Segundo a empresa, os alvos das ações foram farmácias de manipulação, clínicas de estética, spas médicos e vendedores online. As empresas alegavam que o produto seria usado em pesquisas, mas o vendiam para consumo humano.
Até o momento, nenhum órgão regulador aprovou medicamentos com retatrutida no mundo. A Eli Lilly deve pedir licença para vender o produto nos EUA no primeiro trimestre de 2027.
A farmacêutica informou, por meio de comunicado, que denunciou mais de 200 pessoas e entidades ao Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de alimentos e medicamentos nos EUA. A Eli Lilly também afirma que notificou plataformas digitais sobre mais de 14 mil sites, anúncios e publicações que comercializavam o produto ilegalmente em mais de cem países.
Anvisa fez alerta sobre retatrutida
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, em julho, comunicado alertando sobre o uso da retatrutida. Na ocasião, a entidade destacou que não há medicamentos com a substância aprovados em nenhum país.
"A empresa que desenvolve os estudos sequer solicitou o registro do medicamento à Anvisa ou a qualquer agência reguladora internacional. Isso não tem impedido, no entanto, que ele seja oferecido por sites irregulares na internet e apreendido nas fronteiras brasileiras como contrabando", afirmou a Anvisa.
A agência destaca que, sem a regulação, não é possível saber realmente qual substância está presente no medicamento. Além disso, sem a bula, não é possível saber a dose adequada a cada paciente, nem condições em que ele deve ser acondicionado e em qual prazo deve ser consumido após aberto.
“Quando um produto opera fora desse sistema, NÃO há garantias de que sua composição seja a declarada, que sua qualidade seja consistente entre os lotes, que esteja livre de contaminantes ou que seus riscos sejam adequadamente conhecidos e monitorados”, ressalta a instituição.
A Anvisa listou os principais riscos envolvidos no uso de produtos sem registro sanitário:
- Ocorrência de efeitos adversos ainda desconhecidos;
- Ausência de comprovação de eficácia;
- Incerteza sobre a dose segura e efetiva;
- Possíveis falhas nos processos de fabricação e controle de qualidade;
- Risco de contaminações e impurezas;
- Variações entre os lotes do produto;
- Problemas de armazenamento devido à falta de fiscalização regulatória adequada.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



