Diretor do Butantan tranquiliza quem tomou vacina contra dengue há mais de 21 dias
Sistema de farmacovigilância identificou 42 casos de reações graves entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas; entre esses registros, duas mortes seguem sob investigação

Pessoas que receberam a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan há mais de 21 dias podem ficar "absolutamente descansadas", segundo o diretor do instituto, o infectologista Esper Kallás. A declaração foi dada nesta terça-feira (9), um dia após o Ministério da Saúde suspender preventivamente a aplicação do imunizante em todo o país.
A medida foi adotada após o sistema de farmacovigilância identificar 42 casos de reações graves entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas. Entre esses registros, duas mortes seguem sob investigação.
Em entrevista à GloboNews, Kallás afirmou que não há motivo para preocupação entre aqueles que já completaram três semanas desde a imunização.
"Quem já tomou a vacina pode ficar absolutamente descansado. Todos aqueles que já receberam a vacina podem contar com a proteção que ela promete", afirmou.
Segundo o diretor do Butantan, os estudos clínicos apontaram proteção de aproximadamente 65% contra a infecção por dengue ao longo de cinco anos e cerca de 80% contra formas graves da doença.
Orientação para vacinados recentemente

A recomendação das autoridades de saúde é diferente para quem recebeu a vacina há menos de 21 dias. Nesses casos, a orientação é ficar atento ao surgimento de sintomas e procurar atendimento médico em caso de agravamento.
Entre os sinais de alerta estão:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
Além disso, os vacinados nesse período devem comunicar qualquer reação às secretarias municipais de saúde para auxiliar no monitoramento dos casos.
O que motivou a suspensão?
De janeiro até 30 de maio, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos após a vacinação, o equivalente a 0,7% do total de imunizados.
Entre esses registros, 42 pacientes apresentaram sinais considerados graves, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Os casos representam 0,008% do total de vacinados.
Segundo o Ministério da Saúde, essas reações foram classificadas como raras e inesperadas, já que não haviam sido observadas durante os estudos clínicos nem constavam na bula do produto.
Dos 42 casos graves, três receberam atenção especial das autoridades sanitárias. Uma mulher de 39 anos desenvolveu um quadro de dengue grave, precisou ser internada em UTI, mas se recuperou. Outros dois pacientes — uma mulher de 48 anos e um homem de 58 anos — morreram após apresentarem sintomas compatíveis com dengue grave.
Até o momento, o Ministério da Saúde afirma que não há elementos suficientes para comprovar uma relação direta entre a vacina e os casos graves ou os óbitos.
Investigação será conduzida por três órgãos
A investigação será realizada de forma conjunta pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Butantan.
Kallás afirmou que os estudos precisam ser concluídos o mais rapidamente possível, mas evitou estimar um prazo para a divulgação dos resultados.
Apesar da suspensão temporária, o diretor do instituto defendeu a continuidade do desenvolvimento da vacina e afirmou que as evidências disponíveis até o momento indicam que o imunizante continua sendo uma importante ferramenta de combate à dengue.
O Ministério da Saúde reforçou que a interrupção da vacinação tem caráter preventivo e não invalida os estudos que comprovaram a eficácia e a segurança do produto. Enquanto a investigação estiver em andamento, estados e municípios deverão manter suspensa a aplicação das doses.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



