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Cientistas usam bactérias modificadas para reduzir tumores de fígado e pâncreas

Pesquisa em camundongos mostra que microrganismos geneticamente alterados conseguiram atacar tumores difíceis de tratar

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Médica: “Aos 60 anos, não se deve comer com tanta frequência, o fígado precisa de algumas horas de repouso" • Unsplash

Pesquisadores deram mais um passo na busca por tratamentos inovadores contra o câncer ao desenvolver bactérias geneticamente modificadas capazes de reduzir tumores de fígado e pâncreas em testes realizados com camundongos.

O estudo americano, publicado na revista científica Cell Reports Medicine, explorou uma estratégia diferente das terapias convencionais. Em vez de utilizar apenas medicamentos ou quimioterapia, os cientistas transformaram bactérias em ferramentas biológicas capazes de agir diretamente no ambiente tumoral.

A técnica aproveita uma característica conhecida de alguns tumores sólidos: regiões internas com baixos níveis de oxigênio. Essas áreas costumam ser difíceis de alcançar por medicamentos tradicionais, mas podem servir como abrigo para determinadas bactérias.

Após serem modificados em laboratório, os microrganismos passaram a transportar instruções capazes de estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas. Quando chegaram aos tumores, as bactérias se multiplicaram preferencialmente nessas regiões e iniciaram a liberação de substâncias que fortaleceram a resposta de defesa do organismo.

Nos experimentos, os resultados foram considerados animadores. Os pesquisadores observaram redução significativa dos tumores hepáticos e pancreáticos, dois tipos de câncer conhecidos pela alta complexidade de tratamento e pelos baixos índices de sobrevivência quando diagnosticados em estágios avançados.

Além da diminuição do tamanho dos tumores, a abordagem mostrou potencial para aumentar a atividade das células de defesa responsáveis por identificar e destruir células malignas. Os cientistas acreditam que esse mecanismo pode ajudar o organismo a combater o câncer de forma mais eficiente.

Outro aspecto considerado importante foi a capacidade das bactérias de atuar diretamente dentro do microambiente tumoral. Essa característica pode representar uma vantagem em relação a tratamentos que enfrentam dificuldades para penetrar profundamente nas massas cancerígenas.

Apesar dos resultados positivos, os próprios pesquisadores ressaltam que a pesquisa ainda está em fase inicial. Os testes foram realizados apenas em modelos animais, o que significa que ainda serão necessários novos estudos para avaliar a segurança e a eficácia da estratégia em seres humanos.

Os cientistas lembram que muitos tratamentos que apresentam sucesso em camundongos não necessariamente produzem os mesmos resultados em pacientes. Por isso, o caminho até uma eventual aplicação clínica ainda exige anos de investigação e ensaios rigorosos.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.