Belo Horizonte
Itatiaia

Substância presente no alho pode aumentar eficácia de tratamento contra câncer colorretal

Os resultados indicam que a combinação aumenta a capacidade do medicamento de eliminar células tumorais, o que pode contribuir para tratamentos mais eficazes no futuro

Por
Imagem de Maison Boutarin por Pixabay

Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) identificaram que um composto derivado do alho, conhecido como dissulfeto de dialila, pode potencializar a ação do quimioterápico 5-fluorouracilo, amplamente utilizado no tratamento do câncer colorretal. Os resultados indicam que a combinação aumenta a capacidade do medicamento de eliminar células tumorais, o que pode contribuir para tratamentos mais eficazes no futuro.

O estudo avaliou a interação entre o 5-fluorouracilo e o dissulfeto de dialila em células de câncer colorretal dos tipos Caco-2 e HT-29, além de células saudáveis da veia umbilical humana. Durante 24 horas, os pesquisadores expuseram as amostras às substâncias, tanto de forma isolada quanto combinada, e analisaram a citotoxicidade de cada abordagem.

Segundo os cientistas, a associação entre o composto extraído do alho e o quimioterápico apresentou efeito sinérgico, aumentando a destruição das células cancerígenas e preservando as saudáveis. A pesquisa sugere que o nutracêutico pode se tornar um aliado em terapias complementares à quimioterapia.

O 5-fluorouracilo foi escolhido por ser um dos principais medicamentos utilizados contra o câncer colorretal, atualmente o segundo tipo de câncer mais diagnosticado e uma das principais causas de morte pela doença no mundo. Já o dissulfeto de dialila é um composto bioativo encontrado no alho que, em estudos anteriores, demonstrou propriedades antitumorais, incluindo a inibição do crescimento celular, estímulo à morte programada de células cancerígenas e redução de processos relacionados à progressão tumoral.

A pesquisa integra um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e teve os resultados publicados na revista científica Nutrients. De acordo com a professora Lusânia Maria Greggi Antunes, da FCFRP-USP, os achados reforçam o potencial do dissulfeto de dialila como estratégia complementar em tratamentos oncológicos.

A equipe já havia investigado o composto em estudos sobre câncer de fígado. Em pesquisa anterior, publicada na revista Pharmaceutics, o dissulfeto de dialila foi combinado ao quimioterápico sorafenibe e apresentou resultados promissores. Os experimentos mostraram que o composto foi capaz de induzir a morte de células tumorais, reduzir sua migração e alterar a expressão de proteínas associadas à sobrevivência do câncer.

Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam a perspectiva de desenvolver novas abordagens terapêuticas que associem medicamentos convencionais a compostos bioativos de origem natural, com o objetivo de ampliar a eficácia dos tratamentos contra diferentes tipos de câncer.

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.