Após decisão do TRF, dermatologista alerta para riscos da harmonização facial
Tribunal Regional Federal da 1ª Região anulou resolução do Conselho Federal de Odontologia que reconhecia harmonização orofacial como especialidade odontológica

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) anulou, nesta quinta-feira (20), uma resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) que reconhecia a harmonização orofacial como especialidade odontológica. A decisão atende a recursos apresentados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
O médico dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, avalia que a discussão não se trata de uma disputa entre médicos e dentistas. Para ele, o objetivo é “entender até onde vai a formação de cada profissional e, principalmente, o que oferece mais segurança para o paciente”.
Ele destaca que a região da face possui anatomia complexa, atravessada por vasos, nervos e estruturas importantes. “Um preenchimento pode ter um resultado excelente e pode também, ainda que raramente, provocar uma oclusão vascular. E uma oclusão vascular não é uma intercorrência banal. Pode levar à necrose de um tecido e, em situações muito graves, até a comprometimento visual”, afirma.
Além disso, o dermatologista aponta que o procedimento começa antes da aplicação das substâncias. É necessário verificar se há indicação, histórico de doenças, uso de medicamentos, alterações na pele e contraindicações.
“Estamos falando de intervenções no corpo humano. Há indicação, contraindicação, risco e complicação. Há pacientes que não devem ser tratados. Há situações em que uma queixa aparentemente estética pode esconder uma condição que precisa ser diagnosticada. E há intercorrências em que alguns minutos fazem diferença”, diz o dermatologista.
O médico orienta pacientes que buscam um profissional para realizar harmonização orofacial: “Quem procura uma harmonização facial deveria perguntar mais. Qual é a formação desse profissional? Esse procedimento está dentro da sua habilitação? O que pode dar errado? E, se der errado, ele saberá reconhecer? Terá estrutura para tratar? Essas perguntas são muito mais importantes do que saber qual produto será usado ou quantos mililitros serão aplicados”.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



