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Procrastinar pode cansar mais do que fazer a própria tarefa

Adiar decisões também aumenta o esforço exigido pelo cérebro

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Procastinação
Procrastinar pode cansar mais do que fazer a própria tarefa • Ia

A tarefa está ali, não parece particularmente difícil e talvez leve poucos minutos. Mesmo assim, ela passa da manhã para a tarde, reaparece no dia seguinte e continua ocupando espaço na cabeça. A procrastinação costuma ser associada à falta de disciplina, mas pesquisas sobre motivação ajudam a explicar por que permanecer decidindo se algo merece ou não ser feito também exige esforço mental.

Nosso cérebro avalia constantemente o que pode ganhar com uma ação e quanto esforço será necessário para realizá la. O neurologista Masud Husain, professor da Universidade de Oxford, estuda justamente os mecanismos envolvidos nessa relação entre motivação, esforço e recompensa. A decisão de começar uma tarefa, portanto, não depende apenas do tamanho real do trabalho.

Essa avaliação ajuda a compreender uma situação bastante comum: duas pessoas podem receber exatamente a mesma tarefa e enxergar custos completamente diferentes para executá la. O problema aparece quando a decisão permanece aberta e precisa ser reconsiderada repetidamente.

Por que adiar uma tarefa também exige esforço

Pesquisas sobre decisões baseadas em esforço mostram que a motivação pode ser analisada como uma avaliação entre o custo de uma ação e o benefício esperado. Em um trabalho científico de Husain e colaboradores disponível no PubMed, os pesquisadores descrevem a motivação justamente a partir desse processo de ponderação entre esforço e recompensa.

Isso significa que uma atividade simples no papel pode parecer cara para o cérebro. Responder uma mensagem importante, organizar documentos, começar um relatório ou resolver uma pendência financeira envolve mais do que o tempo necessário para concluir a ação. É preciso decidir começar, direcionar atenção e aceitar o esforço associado à execução.

Quando a tarefa é adiada, a pendência não necessariamente desaparece do processo decisório. Ela pode voltar à mente e exigir uma nova escolha: fazer agora ou deixar para depois. A procrastinação cria, assim, uma sucessão de decisões sobre algo que poderia ter exigido apenas uma.

Esse mecanismo também ajuda a explicar por que tarefas com recompensas pequenas ou distantes podem ser mais difíceis de iniciar. Estudos de Husain mostram que as diferenças individuais ficam particularmente evidentes quando o benefício percebido não parece grande o suficiente para compensar o esforço necessário.

O tamanho da tarefa não é o único problema

Uma estratégia conhecida para enfrentar a procrastinação consiste em dividir trabalhos grandes em etapas menores. A lógica continua válida porque reduzir a dimensão de uma atividade pode tornar seu início mais administrável. O estudo da motivação acrescenta uma questão importante: diminuir o número de decisões também pode ser relevante.

Definir antecipadamente o que será feito, em qual momento e por quanto tempo evita que a pessoa tenha de renegociar consigo mesma a mesma tarefa várias vezes. Em vez de passar o dia avaliando quando começar um relatório, por exemplo, a decisão pode ser tomada previamente e transformada em um compromisso concreto.

O princípio não exige preencher cada minuto da agenda. A ideia é retirar algumas pendências do estado permanente de escolha. Quanto mais vezes uma decisão precisa ser retomada, mais oportunidades existem para que o esforço percebido volte a pesar contra a ação.

Como reduzir o ciclo de decisões

Na prática, uma forma de aplicar essa lógica é separar o momento de decidir do momento de executar. Algumas tarefas recorrentes podem ganhar horário definido antes que a semana comece. Pendências pequenas também podem ser agrupadas em períodos específicos, reduzindo a necessidade de decidir repetidamente quando lidar com cada uma.

Vale observar ainda quais atividades são adiadas com maior frequência. Nem toda procrastinação tem a mesma origem. Uma tarefa pode parecer excessivamente difícil, pouco recompensadora, mal definida ou simplesmente competir com alternativas mais atraentes naquele momento. Identificar esse padrão ajuda a entender qual parte da decisão está tornando o início mais custoso.

A pesquisa sobre esforço e recompensa muda principalmente a maneira de olhar para o problema. Procrastinar não significa necessariamente ficar sem fazer nada. Em muitos casos, existe uma atividade mental persistente em torno daquilo que continua pendente.

Resolver uma tarefa elimina o trabalho. Adiá la pode manter a decisão circulando. É justamente aí que uma obrigação de poucos minutos consegue ocupar uma parcela muito maior do dia do que seu tamanho sugeria.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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