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Por que o Dakar ainda é chamado de Paris-Dakar
A origem do apelido está no berço do rally. Ele nasceu como Paris-Dakar e, mesmo tendo mudado de continente e de rota ao longo dos anos, o nome ficou como atalho cultural. Em 2026, a competição aconteceu na Arábia Saudita, com largada e chegada em Yanbu, no Mar Vermelho, e etapas que cruzaram terrenos de areia fofa, dunas altas, pedra solta e trechos de navegação que punem erro pequeno como se fosse grande.
Para o público, Paris-Dakar virou a forma mais simples de dizer “o maior rally do mundo”. Para quem está dentro, é o evento em que não basta acelerar. É preciso entender o deserto, respeitar o ritmo do equipamento e tomar decisões rápidas quando tudo parece igual no horizonte.
A edição em que 2 segundos separaram campeão e vice nas motos
Primeira fotógrafa brasileira no Dakar 2026 Victoria Kimie
A história mais forte do Dakar 2026 cabe no intervalo de uma respiração. Luciano Benavides, da Red Bull KTM Factory Racing, venceu a classificação geral das motos com 49h00min41s. Ricky Brabec, da Monster Energy Honda HRC, terminou com 49h00min43s. A diferença final, 2 segundos, é rara até em provas curtas. Em um rally que atravessa dias e dias de especiais e deslocamentos, ela vira um
Na prática, esses 2 segundos são resultado acumulado de escolhas mínimas. Uma rota mais conservadora para não errar navegação. Um trecho em que o piloto decide não insistir em ultrapassagem para não perder o roadbook. Uma frenagem que salva a moto, mas custa tempo. Um momento em que a cabeça manda mais que o punho.
O top 3 das motos completou com Tosha Schareina, também da Monster Energy Honda HRC, fechando uma edição em que as equipes de fábrica controlaram o alto da tabela e transformaram a disputa em duelo de consistência.
Nos carros, Al-Attiyah leva mais um Dakar e o Brasil termina no top 10
Nos carros, Nasser Al-Attiyah, com Fabian Lurquin na navegação, venceu com 48h56min53s pela equipe The Dacia Sandriders. É o tipo de resultado que ajuda a explicar por que alguns pilotos se tornam especialistas em Dakar. Eles aprendem a ganhar quando a prova tenta arrancar tempo com desgaste, com navegação e com o acaso.
A briga por posições no topo também chamou atenção pelo peso dos nomes e das estruturas. Nani Roma e Alex Haro ficaram em segundo pela Ford Racing, e Mattias Ekström e Emil Bergkvist fecharam o pódio, também com a Ford. Sébastien Loeb terminou logo atrás, em quarto, com a Dacia.
Para o Brasil, Lucas Moraes e Dennis Zenz encerraram o Dakar 2026 em sétimo no geral dos carros, entre as dez melhores duplas da categoria principal. É um tipo de resultado que faz diferença para o país não só pela classificação, mas porque aumenta a presença do Brasil no radar de uma prova que costuma ser dominada por estruturas europeias e do Oriente Médio.
O Dakar que quase ninguém vê: o trabalho de quem fotografa
Cobrir o Dakar não é apenas estar no lugar certo. É estar no lugar certo na hora certa, com o equipamento funcionando, com a logística em dia e com margem para o imprevisto, que é quase uma regra. O fotógrafo vive um calendário paralelo. Acorda antes da largada, cruza deslocamentos longos, escolhe pontos de passagem que permitam enquadramento seguro e, muitas vezes, precisa decidir em minutos se vai apostar em uma duna clássica ou em um trecho rápido de pedra para capturar velocidade real.
O bivouac também tem sua própria linguagem. É onde se veem os corpos cansados, as mãos sujas de graxa, a mecânica no limite e o silêncio que aparece quando a poeira assenta. Uma imagem boa de Dakar não é só moto no ar ou carro cortando duna. Muitas vezes, é a expressão de quem acabou de sobreviver a uma etapa ruim e ainda precisa voltar para o dia seguinte.
Victoria Kimie: a brasileira que entrou no bastidor mais disputado do rally
Primeira fotógrafa brasileira no Dakar 2026 Victoria Kimie
Victoria Kimie se tornou a primeira fotógrafa brasileira a cobrir o Dakar, em 2026, e o feito diz muito sobre o tamanho do evento e sobre o filtro que existe para entrar nele. O Dakar não perdoa amadorismo nem para competidor nem para quem trabalha ao redor. Quem fotografa precisa dominar esporte, tempo, risco e entrega, tudo ao mesmo tempo.
O que chama atenção na presença dela ali é o tipo de barreira que não aparece na TV. A cobertura exige resistência física, leitura de terreno, capacidade de trabalhar sob calor, poeira e pressa, e uma disciplina difícil de manter quando a rotina desmorona. A história dela funciona porque junta duas coisas que o público gosta de ver em um mesmo personagem: o olhar artístico e a casca dura de um ambiente que não facilita.
Pódios do Dakar 2026 (classificação geral)
Motos (Bike)
1º Luciano Benavides (Red Bull KTM Factory Racing) 49h00min41s
2º Ricky Brabec (Monster Energy Honda HRC) 49h00min43s
3º Tosha Schareina (Monster Energy Honda HRC) 49h25min53s
Carros (Car)
1º Nasser Al-Attiyah e Fabian Lurquin (The Dacia Sandriders) 48h56min53s
2º Nani Roma e Alex Haro (Ford Racing) 49h06min35s
3º Mattias Ekström e Emil Bergkvist (Ford Racing) 49h11min26s