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Mulheres em Gaza usam beleza como forma de resistência

Em meio aos impactos da guerra, rituais passaram a simbolizar identidade, dignidade e continuidade da vida.

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Mulheres de Gaza
Mulheres em Gaza usam beleza como forma de resistência • Ia

Em um cenário marcado por deslocamentos, destruição e incerteza, pequenos gestos cotidianos ganharam um significado maior. Passar um batom, cuidar dos cabelos ou encontrar tempo para aplicar maquiagem pode parecer algo simples, mas, para muitas mulheres em Gaza, essas práticas se transformaram em uma maneira de preservar a própria identidade diante de uma rotina profundamente alterada pelo conflito.

Quando o autocuidado se transforma em afirmação de identidade

Os desafios enfrentados pela população afetam praticamente todos os aspectos da vida diária, inclusive o acesso a produtos de higiene e beleza. Ainda assim, muitas mulheres continuam adaptando rotinas de cuidados pessoais com os recursos disponíveis, compartilhando técnicas, improvisando soluções e mantendo espaços dedicados ao autocuidado sempre que possível.

Mais do que uma preocupação estética, esses momentos representam uma tentativa de preservar hábitos construídos ao longo da vida. Em situações extremas, manter práticas familiares ajuda a reforçar a sensação de continuidade e pertencimento, reduzindo o impacto psicológico provocado pelas mudanças bruscas do cotidiano.

Beleza também pode fortalecer a saúde emocional

Pesquisas publicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) destacam que preservar atividades significativas durante crises humanitárias contribui para fortalecer o bem-estar emocional e a sensação de controle sobre a própria rotina. Embora maquiagem ou cuidados com a aparência não substituam apoio psicológico, eles podem integrar estratégias pessoais de enfrentamento em contextos de grande vulnerabilidade.

Pequenos rituais aparecem em diferentes conflitos

Registros históricos mostram comportamentos semelhantes em outros períodos de guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, mulheres continuaram utilizando cosméticos, costurando roupas e preservando hábitos cotidianos mesmo diante das dificuldades impostas pelos conflitos. Em diferentes contextos, esses gestos passaram a simbolizar não apenas vaidade, mas a preservação da identidade individual e cultural.

Resistência também acontece longe dos campos de batalha

A guerra costuma ser retratada por números, destruição e movimentações militares. No entanto, parte da resistência acontece em atitudes discretas que dificilmente aparecem nas estatísticas. Preparar-se para um encontro familiar, pentear os cabelos ou dividir um batom com amigas pode representar uma tentativa de manter vivas relações, memórias e perspectivas de futuro.

Essas escolhas mostram que o autocuidado ultrapassa a dimensão estética. Em contextos extremos, ele pode funcionar como uma forma silenciosa de preservar dignidade, fortalecer vínculos sociais e reafirmar que, mesmo diante das perdas, ainda existe espaço para expressar identidade e esperança.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

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