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Jantar menos pode melhorar a digestão? Entenda o que se sabe

O tamanho e o horário da refeição noturna podem influenciar a sensação de estufamento, o refluxo e o conforto antes de dormir. Nutricionistas explicam por que refeições equilibradas e feitas com antecedência podem ajudar, sem exigir que todas as pessoas comam pouco à noite.

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Um jantar equilibrado pode incluir proteínas, vegetais e alimentos ricos em fibras, em porções adequadas à fome.
Um jantar equilibrado pode incluir proteínas, vegetais e alimentos ricos em fibras, em porções adequadas à fome. • Magnific

Depois de um dia corrido, é comum chegar à noite com fome e fazer do jantar a maior refeição do dia. Mas comer muito nesse horário pode provocar sensação de estômago cheio, inchaço e desconforto, especialmente quando a pessoa se deita pouco tempo depois. Por isso, uma estratégia que vem sendo discutida por especialistas é distribuir melhor a alimentação ao longo do dia e optar por um jantar menos volumoso.

Em reportagem publicada pela revista Real Simple, nutricionistas explicam que fazer uma refeição mais substancial no almoço e uma refeição moderada à noite pode trazer vantagens para algumas pessoas. A nutricionista Amy Shapiro afirma que o organismo tende a lidar melhor com a alimentação nas primeiras horas do dia, quando a sensibilidade à insulina costuma ser maior e a pessoa geralmente está mais ativa.

À noite, uma refeição muito pesada, sobretudo quando consumida perto da hora de dormir, pode favorecer desconfortos digestivos. Isso não significa, porém, que jantar pouco seja obrigatório ou que exista um tamanho ideal de refeição para todos. A quantidade necessária varia conforme a fome, as necessidades nutricionais, a rotina e as condições de saúde de cada pessoa.

Por que refeições volumosas à noite podem causar desconforto

O desconforto depois do jantar pode ter diferentes causas. Comer uma quantidade grande de alimentos em pouco tempo pode aumentar a sensação de estufamento. Refeições muito gordurosas também podem agravar sintomas em algumas pessoas, enquanto deitar logo após comer favorece o refluxo em quem tem predisposição.

O refluxo gastroesofágico acontece quando o conteúdo do estômago retorna ao esôfago, podendo provocar azia, queimação e regurgitação. De acordo com o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos (NIDDK), pessoas que apresentam sintomas durante a noite podem se beneficiar de fazer a última refeição pelo menos três horas antes de se deitar.

A recomendação é especialmente relevante para quem percebe que a azia ou a sensação de alimento voltando à garganta pioram à noite. Ainda assim, os fatores que desencadeiam os sintomas variam. Café, chocolate, bebidas alcoólicas, alimentos ácidos, comidas picantes e preparações com alto teor de gordura podem agravar o refluxo em algumas pessoas, mas não precisam ser eliminados indiscriminadamente por todos.

Também é importante diferenciar digestão de conforto digestivo. Reduzir o volume do jantar pode aliviar a sensação de estômago cheio, mas não significa necessariamente que todo o processo digestivo será mais rápido ou que a saúde intestinal vai melhorar de forma automática.

É melhor comer mais no almoço e menos no jantar?

A ideia de concentrar uma parcela maior da alimentação durante o dia está relacionada, entre outros fatores, aos ritmos circadianos, mecanismos biológicos que ajudam a regular funções do organismo ao longo de aproximadamente 24 horas. O metabolismo e a resposta à glicose podem variar conforme o horário, e alguns estudos investigam como a distribuição das refeições interfere nesses processos.

Na reportagem da Real Simple, a nutricionista Lauren Manaker observa que comer mais cedo pode estar mais alinhado aos ritmos naturais do corpo e favorecer o controle da glicose. Isso oferece uma possível explicação para a vantagem de evitar refeições muito volumosas tarde da noite, mas não estabelece que todas as pessoas devam fazer do almoço a maior refeição do dia.

Na prática, a rotina também conta. Quem trabalha fora, tem pouco tempo para almoçar ou compartilha o jantar com a família pode não conseguir mudar a distribuição das refeições. A própria Shapiro relata que mantém um almoço equilibrado e reserva o jantar para uma refeição mais completa com a família.

Nesse caso, alguns ajustes podem ajudar. Comer devagar, evitar exageros, montar um prato equilibrado e deixar um intervalo entre a refeição e o horário de dormir são medidas que podem melhorar o conforto sem exigir mudanças radicais. Também vale evitar passar o dia inteiro comendo pouco e chegar à noite com fome excessiva, situação que pode favorecer uma refeição muito volumosa.

Como montar um jantar equilibrado

Um jantar mais leve não precisa ser sinônimo de uma refeição insuficiente. A proposta é escolher uma quantidade que satisfaça a fome sem provocar desconforto, mantendo variedade de alimentos e nutrientes importantes.

Alguns cuidados podem ajudar:

  • Inclua fontes de proteína: ovos, peixes, frango, tofu e leguminosas podem fazer parte da refeição, de acordo com as preferências e necessidades individuais.
  • Acrescente vegetais e alimentos ricos em fibras: legumes, verduras, feijão e cereais integrais contribuem para uma alimentação variada e para o funcionamento intestinal.
  • Observe o tamanho da porção: comer até ficar excessivamente cheio pode aumentar o desconforto. Procure reconhecer os sinais de fome e saciedade.
  • Coma com calma: desacelerar e mastigar bem ajuda a perceber a saciedade e evita que a refeição seja consumida apressadamente.
  • Evite deitar logo após comer: quando possível, termine o jantar duas a três horas antes de dormir, especialmente se houver sintomas de refluxo.

A ingestão adequada de fibras ao longo do dia também merece atenção. Frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, castanhas e sementes ajudam a fornecer fibras importantes para a regularidade intestinal. Esse cuidado tende a ser mais relevante para a saúde digestiva do que seguir rigidamente um horário ou reduzir indiscriminadamente o tamanho do jantar.

Se a azia, a dor abdominal, o inchaço ou outros desconfortos forem frequentes, intensos ou persistentes, é importante buscar avaliação profissional. Esses sintomas podem ter diferentes causas e não devem ser atribuídos automaticamente ao tamanho da refeição.

Em resumo, jantar menos pode melhorar o conforto de quem costuma comer grandes quantidades à noite, mas não é uma regra para todos. Mais importante do que cortar alimentos ou ir dormir com fome é distribuir a alimentação de forma adequada, escolher refeições equilibradas e observar como o próprio corpo responde.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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