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Balão gástrico ajuda a emagrecer? Veja quais cuidados são necessários

Procedimento endoscópico pode contribuir para a perda de peso, mas não substitui mudanças de hábitos e exige acompanhamento médico durante todo o tratamento.

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Procedimento pode auxiliar no emagrecimento, mas depende de acompanhamento médico e mudanças na rotina
Procedimento pode auxiliar no emagrecimento, mas depende de acompanhamento médico e mudanças na rotina • FaustFoto / Magnific

Em busca de alternativas para o controle do peso, algumas pessoas encontram no balão gástrico uma opção menos invasiva do que as cirurgias bariátricas tradicionais. O procedimento utiliza um dispositivo colocado dentro do estômago para ocupar parte do espaço disponível e aumentar a sensação de saciedade.

A proposta, porém, não é fazer com que o paciente simplesmente "coma menos" sem mudar sua rotina. O balão funciona como uma ferramenta dentro de um tratamento mais amplo, que pode envolver alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento de profissionais de saúde.

Por isso, entender como o procedimento funciona, o que esperar nas primeiras semanas e quais são seus limites é fundamental antes de tomar qualquer decisão.

Como funciona o balão gástrico

O balão intragástrico é colocado dentro do estômago por meio de um procedimento endoscópico. Depois de posicionado, o dispositivo é preenchido, ocupando parte do espaço gástrico.

Com menos espaço disponível, a pessoa tende a alcançar a sensação de saciedade com uma quantidade menor de alimentos. O mecanismo também pode favorecer mudanças no comportamento alimentar, principalmente quando o paciente aprende a comer mais devagar e reconhecer os sinais de fome e saciedade.

Existem diferentes tipos de balão, e o período de permanência no organismo varia conforme o dispositivo utilizado. Também existem modelos ingeríveis, que podem ser colocados sem uma endoscopia tradicional, dependendo da indicação e da disponibilidade do método.

A escolha deve ser individualizada. Peso, índice de massa corporal, histórico clínico, tratamentos anteriores e objetivos são alguns dos fatores que precisam ser avaliados pelo profissional responsável.

Balão gástrico realmente ajuda a emagrecer?

A evidência científica mais recente indica que o balão pode contribuir para uma perda de peso maior do que mudanças de estilo de vida isoladas em determinados pacientes.

Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2025 na revista Endoscopy International Open reuniu 15 ensaios clínicos randomizados, com 1.961 pacientes. Na comparação com o tratamento médico convencional, o balão apresentou resultados superiores em perda de peso, redução do índice de massa corporal e percentual de perda do excesso de peso nos períodos de seis, nove e 12 meses.

Isso não significa, entretanto, que o procedimento produza o mesmo resultado para todas as pessoas. O tipo de balão, o tempo de tratamento, as características do paciente e a adesão às mudanças de comportamento interferem nos resultados.

Outro ponto importante é que o balão não deve ser apresentado como uma solução definitiva para a obesidade. O objetivo é aproveitar o período de tratamento para desenvolver hábitos que possam continuar depois da retirada do dispositivo.

O período de adaptação pode ser desconfortável

Nos primeiros dias depois da colocação, podem surgir sintomas como náuseas, vômitos, cólicas, refluxo e sensação de desconforto. Essas manifestações estão relacionadas à adaptação do organismo à presença do balão.

A alimentação costuma passar por mudanças nesse período. A progressão da dieta deve seguir a orientação da equipe responsável, respeitando a tolerância de cada paciente.

Depois da fase inicial, alguns cuidados permanecem importantes. Comer devagar, mastigar bem e prestar atenção aos sinais de saciedade ajudam a evitar desconfortos e favorecem a adaptação à nova rotina alimentar.

Não existe uma regra universal que determine a quantidade ideal de refeições para todas as pessoas. Por isso, horários e composição da alimentação devem ser definidos de acordo com a orientação individual recebida durante o tratamento.

Fome emocional também precisa ser observada

O balão atua sobre aspectos físicos relacionados à saciedade, mas não resolve sozinho fatores emocionais associados à alimentação. Estresse, ansiedade, tédio e outros gatilhos podem levar uma pessoa a comer mesmo sem fome física. Nesses casos, a presença do dispositivo não elimina necessariamente o comportamento.

Identificar essas situações faz parte do processo de emagrecimento. Caminhadas, atividades de lazer, sono adequado e acompanhamento psicológico, quando indicado, podem ajudar o paciente a compreender melhor sua relação com a comida.

Esse cuidado é especialmente importante para evitar que o emagrecimento seja encarado apenas como uma questão de força de vontade.

Bebidas alcoólicas e alimentos muito calóricos exigem atenção

O consumo de álcool merece atenção durante o tratamento. Além de fornecer calorias, bebidas alcoólicas podem favorecer escolhas alimentares menos equilibradas e provocar desconforto gastrointestinal em algumas pessoas.

Alimentos ultraprocessados, doces, frituras e preparações muito calóricas também podem dificultar o processo. O balão reduz a capacidade física do estômago, mas não transforma automaticamente a qualidade da alimentação.

Por isso, o tratamento precisa aproveitar a redução da fome para estabelecer uma rotina alimentar mais equilibrada.

Em eventos sociais, uma estratégia simples é evitar chegar ao local com fome excessiva e priorizar porções menores. O objetivo não é transformar a alimentação em uma sequência de restrições, mas aprender a fazer escolhas compatíveis com as necessidades do organismo.

O acompanhamento faz parte do tratamento

O resultado do balão gástrico depende de mais fatores do que a presença do dispositivo no estômago. Acompanhamento médico, orientação nutricional e, quando necessário, suporte psicológico fazem parte de uma abordagem mais completa.

Também é importante acompanhar possíveis efeitos adversos. Uma metanálise publicada em 2025 na revista Obesity Facts avaliou 12 estudos sobre balões intragástricos ajustáveis, envolvendo 4.981 pacientes. O trabalho encontrou perda média de 16,4% do peso corporal total nos estudos analisados, mas também registrou intolerância e retirada precoce em parte dos participantes.

Os dados mostram por que o procedimento precisa ser acompanhado de perto. Mesmo sendo menos invasivo do que uma cirurgia bariátrica, o balão não é isento de riscos e não deve ser utilizado sem indicação médica.

Balão gástrico não substitui mudança de hábitos

O principal erro é imaginar que o dispositivo será responsável sozinho pelo emagrecimento. Ele pode funcionar como um recurso para facilitar a redução da ingestão alimentar, mas a manutenção dos resultados depende também do comportamento construído durante e depois do tratamento.

Por isso, estabelecer metas realistas é mais importante do que buscar uma perda de peso rápida. A alimentação deve ser adaptada às necessidades individuais, assim como a prática de exercícios físicos.

Antes de optar pelo procedimento, também é fundamental esclarecer qual tipo de balão será utilizado, por quanto tempo permanecerá no organismo, quais são os possíveis efeitos adversos e como será o acompanhamento depois da colocação e da retirada.

O balão gástrico pode ser uma ferramenta para o tratamento da obesidade, mas não representa uma solução mágica. Quando integrado a um plano individualizado de cuidados, pode contribuir para a perda de peso e, principalmente, para a construção de uma relação mais equilibrada com a alimentação.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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