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Alimentação infantil: como criar hábitos saudáveis desde os primeiros anos

Rotina, refeições em família e contato com alimentos naturais ajudam a formar hábitos que podem acompanhar a criança por toda a vida

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Hábitos alimentares formados na infância podem influenciar as escolhas da criança ao longo da vida.
Hábitos alimentares formados na infância podem influenciar as escolhas da criança ao longo da vida. • Magnific

A formação de hábitos alimentares começa cedo. É na infância que a criança conhece sabores, texturas e diferentes alimentos e passa a construir uma relação com a comida que pode permanecer por muitos anos. Por isso, mais do que montar um cardápio considerado saudável, os pais e responsáveis têm papel importante na criação de um ambiente que favoreça boas escolhas.

A recomendação ganha ainda mais importância diante do aumento da oferta de produtos ultraprocessados e bebidas açucaradas no cotidiano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os padrões alimentares estabelecidos na infância e na adolescência frequentemente se prolongam até a vida adulta. 

A entidade também destaca que uma alimentação adequada nos primeiros anos contribui para o crescimento, o desenvolvimento cognitivo e a redução do risco de excesso de peso e doenças crônicas no futuro.

No Brasil, o Ministério da Saúde orienta que a alimentação infantil seja baseada, sempre que possível, em alimentos in natura ou minimamente processados e que as refeições sejam realizadas em um ambiente tranquilo, sem distrações como televisão, celular, tablet ou videogame.

Rotina ajuda a organizar a alimentação das crianças

Mudanças na rotina, como férias, fins de semana prolongados ou períodos sem aulas, podem alterar horários de sono e refeições. Para as crianças, manter alguma organização no dia a dia ajuda a evitar que o café da manhã, o almoço ou outras refeições sejam constantemente substituídos por lanches.

Isso não significa estabelecer horários rígidos ou obrigar a criança a comer quando não está com fome. As recomendações atuais valorizam a chamada alimentação responsiva, que considera os sinais de fome e saciedade apresentados pela própria criança.

A OMS orienta que os responsáveis ofereçam os alimentos de maneira paciente, sem forçar a criança a comer, e observem seus sinais de apetite e saciedade. 

No caso dos bebês, a alimentação complementar começa, em geral, aos seis meses, quando o leite materno deixa de ser suficiente sozinho para atender às necessidades nutricionais. A partir desse momento, diferentes alimentos devem ser introduzidos de forma gradual e segura.

Refeições em família ajudam a criar bons hábitos

O comportamento dos adultos também influencia a alimentação infantil. Quando pais e responsáveis participam das refeições e consomem alimentos variados, a criança tem a oportunidade de observar e aprender pelo exemplo. 

Por isso, a recomendação do Ministério da Saúde é que, sempre que possível, a criança faça as refeições acompanhada da família ou de outras pessoas.

O momento à mesa também pode ser usado para apresentar novos alimentos sem pressão. Em vez de transformar legumes, verduras ou frutas em uma obrigação, os adultos podem permitir que a criança conheça diferentes cores, aromas, sabores e texturas.

Outro ponto importante é reduzir as distrações. Comer diante da televisão ou utilizando celular e tablet pode afastar a atenção da criança da própria refeição. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos, do Ministério da Saúde, recomenda que o momento da alimentação seja uma experiência positiva de aprendizado e afeto.

O que colocar no prato?

Para crianças maiores de dois anos, a orientação do Ministério da Saúde é estimular diariamente o consumo de frutas, verduras e legumes, além de alimentos como feijão e outras leguminosas.

Também é importante variar as fontes de proteínas e incluir alimentos como carnes, ovos e peixes, conforme os hábitos alimentares da família.

A OMS destaca que uma alimentação saudável deve ter como base adequação, equilíbrio, moderação e diversidade, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados e reduzindo aqueles ricos em açúcar, sal e gorduras não saudáveis.

Para crianças menores de dois anos, as recomendações são ainda mais específicas. O Ministério da Saúde orienta não oferecer açúcar nem produtos ultraprocessados nessa fase e recomenda água como principal bebida após a introdução da alimentação complementar, conforme a idade e as orientações de saúde.

Lanches podem ser simples e nutritivos

A hora do lanche não precisa ser sinônimo de biscoitos recheados, salgadinhos ou doces.

Frutas frescas, preparações caseiras e outros alimentos adequados à idade podem fazer parte da rotina. A escolha deve considerar a faixa etária, as necessidades nutricionais e possíveis restrições alimentares da criança.

No caso dos bebês e crianças pequenas, a consistência, o tamanho dos alimentos e a forma de preparo também precisam ser adequados à fase de desenvolvimento para reduzir riscos durante a alimentação.

A OMS recomenda que, a partir dos seis meses, a variedade e a consistência dos alimentos sejam ampliadas gradualmente conforme a criança cresce e desenvolve novas habilidades.

Água deve fazer parte da rotina

A hidratação também merece atenção. Para crianças que já consomem água, a bebida deve estar disponível ao longo do dia. O Ministério da Saúde recomenda priorizar água em vez de refrigerantes, sucos industrializados e outras bebidas açucaradas. Para menores de dois anos, o guia brasileiro reforça essa orientação.

Sucos, mesmo naturais, não devem ser tratados como substitutos da fruta inteira. A fruta oferece fibras e exige mastigação, além de fazer parte de uma alimentação mais diversificada.

Menos ultraprocessados, mais comida de verdade

Um dos principais desafios para os pais é lidar com a ampla oferta de produtos direcionados ao público infantil.

Biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes, bebidas adoçadas e outros ultraprocessados podem ser atrativos pelo sabor, pela embalagem e pela praticidade. No entanto, o Ministério da Saúde recomenda evitar esses produtos na alimentação infantil, especialmente nos primeiros anos de vida.

A OMS também alerta para a presença crescente de produtos ricos em açúcares livres, sal e gorduras não saudáveis na alimentação das crianças. Mais do que proibir determinados alimentos, o objetivo é construir uma rotina na qual frutas, legumes, verduras, feijão, cereais e outras opções minimamente processadas tenham espaço frequente.

Bons hábitos começam cedo

Criar uma alimentação saudável na infância não significa buscar uma dieta perfeita. O mais importante é construir uma rotina possível, com variedade, regularidade, convivência familiar e atenção aos sinais da criança.

A alimentação também é aprendizado. Por isso, oferecer diferentes alimentos, permitir que a criança participe de alguns momentos do preparo e transformar a refeição em uma experiência tranquila pode ajudar na construção de uma relação mais positiva com a comida.

As recomendações internacionais reforçam a importância dessa fase: segundo a OMS, os primeiros anos de vida são especialmente importantes para o crescimento e o desenvolvimento e para a formação de padrões alimentares que podem repercutir na saúde ao longo da vida.

Assim, incentivar hábitos saudáveis não depende apenas do que está no prato. Envolve também como, onde e com quem a criança come.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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