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A bebida que conquistou quem busca emagrecer e ter mais disposição

Rica em compostos bioativos e probióticos, a kombucha ganhou espaço entre consumidores que buscam bem-estar. Mas pesquisas mostram que seus benefícios têm limites e dependem do estilo de vida.

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Produzida a partir da fermentação do chá, a kombucha ganhou espaço entre consumidores que buscam hábitos mais saudáveis
Produzida a partir da fermentação do chá, a kombucha ganhou espaço entre consumidores que buscam hábitos mais saudáveis • Freepik

A kombucha deixou de ser um produto encontrado apenas em lojas de alimentos naturais para ganhar espaço em supermercados, cafeterias e restaurantes. Produzida a partir da fermentação do chá preto ou verde com uma cultura de bactérias e leveduras — conhecida como SCOBY (Symbiotic Culture of Bacteria and Yeast) —, a bebida é frequentemente associada ao emagrecimento, ao aumento da energia e à melhora da saúde intestinal.

O crescimento da procura acompanha uma tendência global. Segundo a consultoria Grand View Research, o mercado mundial de kombucha deve continuar em expansão nos próximos anos, impulsionado pelo interesse dos consumidores em alimentos fermentados, bebidas com menos açúcar e produtos voltados ao bem-estar.

Mas será que a kombucha realmente ajuda a emagrecer ou aumenta o foco? As evidências científicas ainda são limitadas, embora alguns componentes da bebida possam contribuir indiretamente para esses objetivos.

O que é a kombucha?

A kombucha é obtida pela fermentação do chá da planta Camellia sinensis, geralmente chá verde ou chá preto, com açúcar e uma colônia de micro-organismos.

Durante o processo de fermentação, parte do açúcar é consumida pelas bactérias e leveduras, formando ácidos orgânicos, pequenas quantidades de vitaminas do complexo B, compostos antioxidantes e microrganismos vivos.

Uma revisão publicada em 2025 na revista científica Food Research International destaca que a bebida reúne compostos bioativos que podem favorecer a saúde intestinal e apresentar ação antioxidante. No entanto, os autores ressaltam que ainda são necessários mais estudos clínicos em humanos para confirmar muitos dos benefícios atribuídos à kombucha.

A bebida ajuda a emagrecer?

A resposta curta é: não diretamente. Até o momento, não existem evidências robustas de que a kombucha, sozinha, promova perda significativa de peso.

O que pode favorecer o emagrecimento é o fato de muitas versões da bebida apresentarem baixo teor calórico e servirem como alternativa aos refrigerantes e bebidas açucaradas.

Além disso, estudos publicados na revista Nutrients indicam que alimentos fermentados podem contribuir para uma microbiota intestinal mais equilibrada, fator associado ao metabolismo e ao controle do peso. Entretanto, essa relação ainda está sendo investigada e não permite afirmar que a kombucha tenha efeito emagrecedor.

E quanto ao foco e à disposição?

Algumas pessoas relatam sensação de maior energia após consumir kombucha. Isso pode ocorrer porque a bebida preserva pequenas quantidades de cafeína provenientes do chá utilizado na fermentação. Dependendo da formulação, algumas marcas também adicionam ingredientes como guaraná, chá-mate ou extratos vegetais ricos em cafeína.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) reconhece que a cafeína pode melhorar temporariamente o estado de alerta, a atenção e a concentração quando consumida em doses moderadas. No entanto, esses efeitos estão relacionados à cafeína, e não especificamente à kombucha.

Saúde intestinal é o benefício mais estudado

Entre os possíveis benefícios da kombucha, a melhora da saúde intestinal é o que reúne maior número de pesquisas. A fermentação favorece a formação de microrganismos e compostos que podem contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal.

Segundo uma revisão publicada em 2024 na revista Frontiers in Nutrition, uma microbiota saudável está relacionada ao fortalecimento do sistema imunológico, à digestão adequada e até à produção de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor.

Ainda assim, os pesquisadores destacam que o efeito depende da composição da bebida e da quantidade de microrganismos vivos presentes em cada produto.

Consumo exige alguns cuidados

Embora seja considerada segura para a maioria das pessoas quando produzida de forma adequada, a kombucha deve ser consumida com moderação. Versões artesanais preparadas sem controle sanitário podem apresentar risco de contaminação microbiológica.

Além disso, algumas bebidas comercializadas contêm quantidades elevadas de açúcar, o que reduz parte dos benefícios esperados. Gestantes, pessoas imunossuprimidas ou com doenças específicas devem conversar com um profissional de saúde antes de incluir bebidas fermentadas na rotina.

Vale a pena incluir a kombucha na alimentação?

A kombucha pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, especialmente para quem procura substituir bebidas açucaradas por opções com menor teor calórico. No entanto, ela não deve ser encarada como um produto capaz de acelerar o emagrecimento ou aumentar a produtividade por si só.

As evidências científicas continuam mostrando que alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e controle do estresse permanecem como os principais fatores para manter o peso, melhorar a disposição e favorecer a saúde em longo prazo.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.