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Zema compara exigência de selo verde para exportação de produtos à escravidão

Governador também disse que áreas mineradas podem se transformar em locais mais atrativos do que se permanecessem sem intervenção

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Romeu Zema deu a declaração durante evento de posse dos novos conselheiros do Copam e do CERH
Romeu Zema deu a declaração durante evento de posse dos novos conselheiros do Copam e do CERH • Pedro Augusto Figueiredo

O governador Romeu Zema (Novo) disse nesta terça-feira (6) que a atual exigência de um selo verde para comprovar que produtos foram produzidos de forma sustentável e de acordo com a legislação ambiental é o equivalente à "escravidão de 150 anos atrás", quando países que ainda adotavam a prática foram excluídos do mercado internacional.

“Eu que venho do setor privado sei mais do que ninguém que tudo que nós vendemos, exportamos, precisará e já está precisando ter um selo verde. Caso contrário, não teremos condições de ter mercados lá fora”, disse o governador durante a cerimônia de posse dos novos conselheiros do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) e do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH).

“E essa questão do selo verde é o equivalente há 150 anos atrás de escravidão. Quem acompanha a história sabe que há 150 anos atrás países que tinham escravos foram ficando excluídos do mercado para poder forçar uma mudança. Nesse mundo atual, nós estamos exatamente nessa transição”, continuou Zema.


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Em seguida, o governador mencionou iniciativas de seu governo, como o compromisso de zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050 e uma parceria com a Fiemg para monitorar as emissões das indústrias mineiras.

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Mineração

Ainda no tema ambiental, o governador afirmou que o mundo passa por uma transição energética e que o Brasil e Minas Gerais têm “potencial gigantesco” nesse processo. Ele citou a necessidade de renovação da frota para veículos elétricos e lembrou que as baterias são feitas de lítio.

No mês passado, Zema foi à Nova Iorque, nos Estados Unidos, em busca de investimentos para o projeto Vale do Lítio. O objetivo é desenvolver cidades do Norte e do Nordeste de Minas, que detêm a maior reserva nacional de lítio, em torno da cadeia produtiva do mineral.

“É uma ilusão achar que nós vamos ter um mundo mais limpo sem fazermos algumas atividades”, disse o governador. “E lembro ainda que área minerada pode se transformar em uma área até muito mais atrativa do que era a área natural”, continuou.

“Nós temos exemplos bem próximos. Inhotim era há 30 anos, 40 anos atrás, uma mina. E hoje é um cartão-postal nosso. O Parque das Mangabeiras idem. Durante algum tempo você tem ali como se fosse um canteiro de obras, e depois de concluído pode se transformar em uma outra finalidade, inclusive com muito verde, com muita proteção ambiental”, concluiu Zema.