Vereador de Mário Campos acusado de ameaçar deputadas petistas é absolvido
Investigação da Polícia Civil descartou que email de vereador Reinaldo Magalhães foi usado para ameaças contra deputadas Andreia de Jesus, Beatriz Cerqueira e Duda Salabert; autor das agressões segue sem ser identificado

O vereador Reinaldo Magalhães (Novo), de Mário Campos, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi absolvido pela Justiça Eleitoral da acusação de ataques e ameaças contra as deputadas Beatriz Cerqueira (PT) e Andréia de Jesus (PT) e contra a deputada federal Duda Salabert (PDT), que na época era vereadora na capital mineira.
A mensagem trazia xingamentos e ameaças: “Vou botar vocês pra correr daqui no tapa, suas comunistas vagabundas sem vergonha. Mulher não precisa de Lei Maria da Penha, mulher precisa de um 38 carregado e muito tapa na cara pra aprender a ter vergonha”.
O Ministério Público Eleitoral apresentou uma denúncia contra o vereador Reinaldo e contra seu assessor na Câmara Municipal, Lucas Jonathas Amâncio Ribeiro, que usou as próprias redes sociais para atacar as parlamentares.
Segundo a denúncia, o e-mail com os ataques “teria sido enviado por meio do endereço de e-mail criado pela Câmara de Vereadores de Mário Campos para o réu Reinaldo Francisco Silva Magalhães, enquanto vereador eleito naquele município”. Desde que a acusação veio à tona, o vereador negou ter sido o autor das ameaças.
Após investigação, a Polícia Civil concluiu que as ameaças não partiram do email do vereador. “Após longo período, durante o qual este Juízo rotineiramente reiterou o requerimento de prioridade no trâmite da perícia, o Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais concluiu a análise técnica sobre as provas colhidas. O laudo pericial apresentado conclui que o e-mail contendo ameaças recebido pelas vítimas não partiu do endereço de e-mail do réu”, diz a decisão judicial publicada na semana passada.
O verdadeiro autor dos ataques, segundo a investigação policial, usou um provedor dos Estados Unidos e não foi identificado.
“A conclusão dos trabalhos periciais é inarredável. De forma técnica, registrou-se que o e-mail ofensivo não partiu do endereço do e-mail do réu, e sim de provedor situado nos Estados Unidos, cuja identificação precisa não é possível uma vez que o código-fonte do e-mail das vítimas não registra informações sobre o endereço de IP de origem das mensagens recebidas”, continua a decisão que absolveu o vereador de Mário Campos.
'Dificuldade do estado na proteção das mulheres na política'
A deputada Beatriz Cerqueira avaliou que a demora para uma conclusão sobre a denúncia e o fato de o autor das ameaças não ter sido identificado demonstram a dificuldade do estado em garantir a segurança das mulheres na política.
"Esse fato é de 2022, nós estamos em 2025. Então a depender aí, se a minha vida dependesse desse procedimento eu já teria morrido várias vezes. Se quem me ameaçou tivesse efetivado a ameaça, eu já estaria morta várias vezes", afirmou Beatriz.
"Eu quero chamar a atenção da dificuldade das instituições em lidarem com violência política de gênero, em garantir o ambiente seguro para as mulheres na política. E, até o momento, ninguém então sabe quem de fato é autor da ameaça, que veio na sequência de ameaças que eu sofri por parte de um assessor do vereador. O primeiro episódio foi do assessor do vereador, de acordo com várias denúncias. Tinha arma e fogo, exibia e fez publicamente, esse assessor da Câmara Municipal de Mário Campos, fez publicamente ameaças a mim, dizendo que eu não iria na cidade de Mário Campos. Então, tudo isso demonstra a enorme dificuldade do Estado na proteção das mulheres na política", cobrou a deputada.
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.



