Flávio envia carta ao secretário de Estado dos EUA contra novas tarifas a produto brasileiros
Documento enviado ao secretário de Estado Marco Rubio cita crise fiscal brasileira e pede que produtos nacionais não sejam alvo de novas sanções comerciais.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano não avance com a aplicação de tarifas comerciais contra produtos brasileiros no âmbito da investigação conduzida pela chamada Seção 301. O documento foi encaminhado nesta segunda-feira (2), poucos dias após a visita do parlamentar a Washington.
No ofício, Flávio agradece a recepção recebida durante sua passagem pelos Estados Unidos e destaca a decisão do governo Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo ele, a medida representa um avanço no combate ao crime organizado e foi bem recebida por grande parte da população brasileira: "Essas duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e suas redes de drogas, armas e dinheiro vão muito além das nossas fronteiras", escreveu o senador.
Pedido para evitar tarifas
O principal objetivo da carta, no entanto, é tentar impedir que os Estados Unidos imponham novas tarifas sobre produtos brasileiros. Flávio argumenta que a economia brasileira atravessa um momento delicado e cita indicadores como o aumento da dívida pública, o crescimento da inadimplência entre famílias e empresas e o avanço dos pedidos de recuperação judicial para sustentar que uma medida tarifária agravaria a situação econômica do país.
Segundo o senador, a imposição de novas barreiras comerciais acabaria atingindo diretamente a população brasileira: "A imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro, justamente aos cidadãos que veem os Estados Unidos como parceiro e amigo", afirma o documento.
Na carta, o parlamentar formaliza o pedido que, segundo ele, já havia sido feito pessoalmente durante a reunião com Rubio: que os Estados Unidos não apliquem tarifas ao Brasil.
Projeção eleitoral e acordo comercial
Um dos trechos que mais chamam atenção no documento é a referência ao cenário político brasileiro. Flávio Bolsonaro afirma estar confiante de que será eleito presidente da República nas eleições de outubro e diz que, caso isso ocorra, pretende iniciar imediatamente negociações para um amplo acordo de comércio e investimentos entre Brasil e Estados Unidos: "Estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil neste outubro", escreveu o senador ao secretário de Estado americano.
Ele acrescenta que colocaria sua equipe de transição à disposição do governo norte-americano para construir uma parceria baseada em livre mercado, respeito mútuo e cooperação estratégica.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.
