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Flávio diz que buscará diálogo com os EUA para evitar tarifação sobre produtos brasileiros

Senador afirmou que encaminhará carta ao governo norte-americano pedindo que produtos brasileiros não sejam alvo de novas tarifas

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Flávio Bolsonaro atribui tarifas dos EUA ao governo Lula e diz ter pedido isenção para empresas brasileiras • Fotográfo/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (2), que pediu diretamente ao governo dos Estados Unidos que empresas brasileiras não sejam alvo de tarifas comerciais adicionais e atribuiu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade pelas medidas anunciadas por Washington. As declarações foram feitas em vídeo divulgado nas redes sociais após a divulgação das conclusões preliminares da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da chamada Seção 301.

Segundo Flávio Bolsonaro, a eventual aplicação de tarifas prejudicaria empreendedores brasileiros, que, na avaliação dele, já enfrentam elevada carga tributária e burocracia: “Eu fiz o pedido direto para que os Estados Unidos não taxassem as empresas brasileiras. Os empreendedores brasileiros já estão sufocados com tanto imposto, burocracia e perseguição”, afirmou.

O senador também declarou que pretende encaminhar uma carta ao governo norte-americano reforçando o pedido para que as tarifas não sejam aplicadas: “Vou enviar uma carta ao governo americano pedindo que ele não aplique tarifas às empresas brasileiras, mas eu ainda não sou o presidente. É obrigação do Lula ir lá e resolver”, disse.

Críticas ao governo federal

Durante a manifestação, Flávio Bolsonaro associou a investigação comercial à condução da política externa brasileira e afirmou que o relacionamento entre Brasília e Washington teria se deteriorado sob a atual gestão.

O senador argumentou que a investigação teve início em 2025, antes de sua recente viagem aos Estados Unidos, e rejeitou a ideia de que sua atuação tenha contribuído para a abertura do processo: “Essa tarifa é do Lula, pelo seu tom agressivo com os Estados Unidos”, declarou.

As declarações ocorreram após o governo brasileiro divulgar nota oficial classificando como injustificadas as conclusões preliminares da investigação americana e afirmando que continuará negociando para evitar a adoção de medidas comerciais contra o Brasil.

PCC e Comando Vermelho

Flávio Bolsonaro também comentou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O senador elogiou a medida e afirmou que ela pode abrir espaço para uma cooperação mais ampla entre países da região no combate ao crime organizado. Segundo ele, o Brasil deveria integrar iniciativas semelhantes às adotadas por países como Argentina, Paraguai e El Salvador no enfrentamento de facções criminosas.

A investigação da Seção 301 é conduzida pelo governo norte-americano para avaliar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos. Entre os pontos questionados estão aspectos relacionados a serviços digitais e sistemas de pagamento eletrônico. O governo brasileiro sustenta que não há justificativa econômica para a adoção de medidas contra o país e destaca que os Estados Unidos acumulam superávit comercial na relação bilateral.

As negociações entre os dois governos seguem em andamento, com o objetivo de evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.