Belo Horizonte
Itatiaia

'Vale quer anistia para o crime que cometeu', diz deputado sobre contraproposta para acordo de Mariana

Mineradora apresentou nova proposta aos governos; entenda as propostas e o principal entrave para o acordo

Por e 
Rogério Correia, que integram comissão da Câmara sobre rompimento da barragem, se reuniu com desembargador no TRF-6
Rogério Correia explicou quais são os entraves para acordo de Mariana • Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Coordenador da Comissão Externa sobre Fiscalização dos Rompimentos de Barragens e Repactuação, o deputado federal Rogério Correia (PT) criticou a proposta apresentada pela Vale no âmbito do acordo de Mariana. O rompimento da barragem da Samarco completa nove anos em novembro.

Pela proposta apresentada, a Vale quer fechar o acordo em R$ 140 bilhões, dos quais R$ 37 bilhões ela disse já ter pago em indenizações e ações de reparação. Desses R$ 103 bilhões restantes, R$ 82 bilhões seriam repartidos para o governo federal e os governos de Minas Gerais e Espírito Santo — em pagamentos previstos para os próximos 20 anos — e outros R$ 21 bilhões seriam "obrigações de fazer". Ou seja, esse recurso seria revertido em ações que a própria mineradora se compromete a realizar para reparar os danos provocados pela tragédia.

Para o parlamentar, esse segue sendo o maior entrave.

"Se ela quitar esse recurso [os R$ 21 bilhões], ela não tem obrigação mais nenhuma com o crime que ela cometeu", critica Correia.

"E isso não é justo, porque ela não pode deixar de fazer, por exemplo, reparação dos danos futuros, especialmente na área da saúde. Ela não pode quitar aquilo que as pessoas, individualmente, têm direito. E fica dispensada da retirada de rejeitos. Então, todo o estrago feito no Rio Doce é como se ela lavasse as mãos e isso ficaria por conta do governo. E essas questões são mais caras", afirma o petista.

Para Rogério Correia, a proposta da Vale é uma espécie de "anistia", que não pode ser concedida.

Entenda a proposta da Vale

A proposta apresentada pela Vale é de R$ 140 bilhões, divididos da seguinte forma:

  • R$ 82 bilhões: dinheiro seria repassado à União e aos governos de Minas Gerais e Espírito Santo ao longo dos próximos 20 anos
  • R$ 21 bilhões: obrigação de fazer da própria Vale na reparação aos danos causados
  • R$ 37 bilhões: já investidos em ações de reparação

Entenda a proposta dos entes públicos

A proposta apresentada pelos entes públicos é de R$ 109 bilhões — desconsiderados o que a Vale alega já ter investido em ações de reparação. A proposta também prevê que a Vale continue responsável por executar ações que derivam diretamente do crime, como a retirada de rejeitos do rio Doce.

  • R$ 109 bilhões: dinheiro seria repassado à União e aos governos de Minas Gerais e Espírito Santo ao longo dos próximos 12 anos.
Por

Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.

Por

Repórter da Itatiaia desde 2018. Foi correspondente no Rio de Janeiro por dois anos, e está em Brasília, na cobertura dos Três Poderes, desde setembro de 2020. É formado em Jornalismo pela FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso), com pós-graduação em Comunicação Eleitoral e Marketing Político.