Valdemar diz ao STF que hacker acusado de invadir sistema do CNJ pediu emprego no PL
Presidente do partido prestou depoimento nesta quinta como testemunha de defesa da deputada Carla Zambelli

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que o hacker Walter Delgatti Neto pediu emprego no partido. O dirigente partidário foi ouvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (26), como testemunha de defesa da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) no processo em que ela e Delgatti são réus por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A parlamentar também seria ouvida nesta quinta, mas foi internada no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, após um mal-estar. Segundo sua assessoria, ela não tem previsão de alta e também tem feito exames para diagnosticar uma arritmia. Por causa disso, o depoimento foi remarcado para 1º de outubro.
Na audiência, Valdemar declarou que conheceu o hacker por intermédio de Zambelli. Segundo o presidente do PL, Delgatti foi à sede do partido acompanhado por seu advogado, Ariovaldo Moreira, e pela deputada e, durante a visita, teria pedido para trabalhar na sigla.
"O advogado dele falou que ele precisava de um emprego, e aí ele falou que queria trabalhar no partido. E eu falei que eu não podia, que eu não tinha lugar aqui para ele, apesar da habilidade que ele falou que tinha nessa área. Me surpreendeu ele pedir emprego. Ele tinha sido preso e estava com dificuldade de achar emprego", afirmou o ex-deputado.
Valdemar negou ainda que durante o encontro ele ou Carla Zambelli tenham pedido para que o hacker cometesse crimes, como a invasão a dispositivos pessoais do ministro Alexandre de Moraes.
Na sequência, o advogado Ariovaldo Moreira questionou o presidente do PL sobre um pedido para que Delgatti invadisse o telefone de sua secretária. Valdemar também negou que a situação tenha ocorrido e disse que perguntou sobre essa possibilidade por "curiosidade".
"Eu não pedi para invadir o telefone da minha secretária. Eu falei: 'Mas você é capaz de tudo isso? É capaz de invadir o telefone até da minha secretária aqui?' Ele disse: 'Sou. Eu preciso de um tempo'. Perguntei por curiosidade, porque sabia que ele era habilidoso", declarou.
Entenda o caso
Carla Zambelli foi denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por falsidade ideológica e invasão a sistemas da Justiça. A Primeira Turma do STF recebeu a denúncia em maio deste ano, tornando a deputada ré no caso.
De acordo com a denúncia, o hacker Walter Delgatti, também investigado, teria violado indevidamente mecanismos de segurança e invadido dispositivos informáticos do CNJ sob o comando de Zambelli.
De agosto de 2022 a janeiro de 2023, ele teria adulterado dados de documentos como certidões, mandados de prisão, alvarás de soltura e quebras de sigilo bancários, com o objetivo de prejudicar a administração do Judiciário e a credibilidade das instituições e gerar vantagens políticas para a parlamentar.
Ainda segundo a PGR, o hacker confessou o crime e a solicitação da deputada para que ele os cometesse. Carla Zambelli também teria divulgado em suas redes sociais um encontro com Delgatti, afirmando que ele tinha sido o responsável por hackear 200 autoridades, entre ministros do Executivo e do Judiciário. A conduta representaria uma verdadeira confissão de seu envolvimento nos delitos.
Relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes observou que os fatos narrados são considerados crimes na lei penal e apresentam coerência, com indícios de autoria e comprovação de sua ocorrência.
Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.



