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Uso de restos mortais para treinar cães: autor de PL diz que audiência ajuda a 'desmistificar o tema'

Reunião na Câmara de BH contou com a participação de militares do Corpo de Bombeiros e também de duas cadelas que atuam em operações de busca e resgate

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A fêmea Calli, que faz parte de operações de busca e resgate do Corpo de Bombeiros, acompanhou a audiência.
A fêmea Calli, que faz parte de operações de busca e resgate do Corpo de Bombeiros, acompanhou a audiência. • Luisa Marques | Itatiaia.

O uso de partes humanas no treinamento de cães farejadores foi tema de debate em uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) nesta sexta-feira (30). O requerimento, de autoria do vereador Sargento Jalyson (PL), tem como base um projeto de lei que tramita na Casa e trata da destinação de segmentos amputados e restos mortais para os canis das forças de segurança pública.

O parlamentar explicou à Itatiaia que a proposta surgiu a partir de uma demanda dos próprios militares, que relataram dificuldades em “potencializar” o treinamento com os animais. “A audiência serviu para desmitificar esse tema, pois não há contato direto do cão com o corpo humano. Não é nada disso. Não se trata de um tipo de tratamento desumano com o animal, pelo contrário. O cachorro é tratado como se fosse do próprio bombeiro”, afirmou.

O projeto de lei estabelece que os corpos só poderão ser “doados” mediante autorização expressa do paciente, em vida, ou por meio de representantes legais, ou familiares. No caso de partes amputadas, o consentimento também deverá ser formal e expresso.

“Só quem esteve na situação de ser um parente, uma família desesperada, sabe o quanto os nossos cães fazem diferença. É uma alegria ver isso sendo conduzido pelo Corpo de Bombeiros, uma instituição com um compromisso intrínseco com a vida. Esperamos que projetos como esse possam prosperar”.

— declarou Aihara à reportagem.

Duas cadelas de Belo Horizonte, Áquila e Calli, estiveram presentes na audiência.

De acordo com o cabo Thiago Chaves, operador de cães do CBMMG, os animais só começam a participar de operações — especialmente aquelas que envolvem vítimas — após passarem por um rigoroso treinamento. “Depois que os cães amadurecem no trabalho de busca por pessoas vivas, eles passam para a etapa de reconhecimento do odor da decomposição humana. Quando esse reconhecimento está consolidado, variamos os ambientes de busca, simulando situações reais”, explicou.

Chaves destacou ainda que os cães não têm contato direto com as substâncias artificiais atualmente utilizadas nos treinamentos. “Temos todo o cuidado, isolando qualquer substância para que os animais não tenham contato direto. Trabalhamos com maturidade e empatia”, concluiu.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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