União Brasil decide instaurar processo que pode levar ao afastamento e à expulsão de Bivar
Parlamentares filiados ao partido decidiram em reunião da Executiva Nacional acatar representação contra Bivar por ameaças contra Antonio de Rueda

A Executiva Nacional do União Brasil acatou nesta quarta-feira (13) uma representação contra o ainda presidente Luciano Bivar. A decisão dá prosseguimento a um processo administrativo que pode levar ao afastamento cautelar e até mesmo à expulsão do parlamentar, que é um dos fundadores da sigla. Participaram da reunião na sede do partido, em Brasília, pelo menos 50 deputados, senadores e governadores do partido — entre eles, lideranças referência para o União Brasil: os senadores Davi Alcolumbre e Efraim Filho, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Com a instauração do processo, os advogados de Bivar terão, pelo menos, 72 horas para responder à representação feita contra ele, na qual ele é acusado de ameaçar de morte o presidente eleito e antigo aliado Antonio de Rueda e de ter envolvimento com o incêndio que atingiu casas da família do rival, em Pernambuco, na última segunda-feira (11). Passadas as 72 horas — enquanto ele permanece como presidente — a Executiva Nacional poderá marcar uma nova reunião, e nesse encontro será decidido se Bivar será afastado cautelarmente ou até mesmo expulso, ou se o processo será, antes, analisado pelo Conselho de Ética do partido.
Reunião da Executiva e mal-estar com Luciano Bivar
A reunião da Executiva Nacional do União Brasil começou com atraso nesta quarta-feira. Lideranças referência para o partido participaram do encontro no segundo andar da sede do partido, em um complexo hoteleiro de Brasília, e entre elas estão o ministro do Turismo de Lula, Celso Sabino, o ministro da Saúde de Bolsonaro, Henrique Mandetta, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Também participam o líder do União Brasil no Senado, Efraim Filho, o atual primeiro-secretário — e vice-presidente eleito — ACM Neto. Pelo menos, 50 filiados ao partido compareceram.
Um ofício assinado pela Executiva Nacional do partido antes do início da reunião indica que a bancada do União Brasil no Congresso Nacional e governadores do partido defendem o afastamento cautelar de Bivar da presidência e a expulsão dele da legenda.
À Itatiaia, em ligação, Bivar afirmou que os advogados responderão às acusações contra ele no prazo previsto. Perguntado sobre o sentimento diante do futuro ameaçado, ele respondeu: "acredito no Estado Democrático de Direito".
A reunião desta quarta é fruto de um encontro entre os parlamentares da bancada do União na Câmara dos Deputados nessa terça-feira (12). Ao longo de quatro horas, os parlamentares discutiram o futuro de Bivar e decidiram que um único caminho é viável: a retirada dele do partido. Nos bastidores, algumas das principais lideranças da legenda classificaram a permanência de Bivar como insustentável e constrangedora.
O mal-estar com Bivar escalonou pouco antes da eleição nacional do União Brasil, na qual ele acabou derrotado para um antigo aliado e rival Antonio de Rueda. Pelo regimento, Bivar deve permanecer na presidência até 31 de maio; quando, então, será substituído pelo eleito Rueda. Entretanto, acusações de que Bivar teria ameaçado Rueda de morte tensionaram as relações no União Brasil; a situação piorou após um incêndio destruir as casas de Rueda e da irmã dele, Maria Emilia, tesoureira do partido, em um condomínio no litoral de Pernambuco. Bivar é acusado de participação no incêndio.
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Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.



