Belo Horizonte
Itatiaia

TSE anula votos de chapa que elegeu Nikolas Ferreira vereador por fraude em cota de gênero

Suplente que assumiu a vaga de Nikolas, Uner Augusto, perderá a cadeira na Câmara Municipal; TRE ainda não decidiu quem assume a vaga

Por
TSE anulou votação do PRTB e decisão afetará composição da Câmara de BH
TSE anulou votação do PRTB e decisão afetará composição da Câmara de BH • Pablo Valadares / Câmara dos Deputados

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu que o PRTB fraudou a cota de gênero nas eleições para vereador de Belo Horizonte em 2020. A decisão vai culminar na alteração da composição da Câmara Municipal, já que o vereador Uner Augusto será afetado pela anulação dos votos da legenda.

Ele ficou como primeiro suplente de Nikolas Ferreira, único vereador eleito em 2020 pelo partido e que conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados no ano passado. O ministro do TSE, Sérgio Banhos determinou que a medida seja cumprida imediatamente.

O processo foi movido pelo PSOL, que recorreu à Justiça Eleitoral em Brasília após uma decisão negativa do Tribunal Regional Eleitoral em Minas Gerais (TRE-MG).

O PRTB foi o partido pelo qual o hoje deputado federal Nikolas Ferreira foi eleito em 2020, com a segunda maior votação daquele pleito - ficando atrás apenas da vereadora Duda Salabert, hoje no PDT. Caso Nikolas ainda fosse vereador, ele também perderia a cadeira, conforme a decisão do TSE.

Além disso, o Tribunal ainda determinou a anulação dos 42.202 votos obtidos pela chapa do PRTB. Agora, é preciso definir quem irá assumir a vaga de Uner Augusto. O TRE-MG marcou para o dia 18 de abril uma audiência para realizar a retotalização dos votos, para definir os novos quocientes eleitorais e partidários. Somente após essa audiência, a Justiça Eleitoral informará quem irá assumir a cadeira na Câmara Municipal.

O que é a cota de gênero?

A cota de gênero faz parte da legislação eleitoral e determina que cada partido ou coligação reservem, ao menos, 30% das vagas da chapa proporcional (ou seja, de vereadores ou deputados) para um gênero - masculino ou feminino.

Desde que a regra passou a se tornar obrigatória, em 2009, a Justiça Eleitoral tem atuado para evitar as chamadas "candidaturas-laranja", que simulam a candidatura sobretudo de mulheres com o objetivo de fraudar o cumprimento da regra.

Por

Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.

TSE anula votos de chapa que elegeu Nikolas Ferreira vereador por fraude em cota de gênero | Rádio Itatiaia