Alckmin critica tarifaço dos EUA e afirma que comércio mundial precisa de previsibilidade
Ministério das Relações Exteriores (MRE) anunciou, naa segunda-feira (27), que o Brasil iniciou consulta aos EUA sobre as novas tarifas da gestão Donald Trump

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu nesta segunda-feira (27) que o comércio exterior deve ser pautado em regras. A declaração ocorre em meio à consulta do Brasil na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra o "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos (EUA) e à busca por novos mercados para o país.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) anunciou, naa segunda-feira (27), que o Brasil iniciou consulta aos EUA sobre as novas tarifas da gestão Donald Trump.
No último dia 22, os EUA aplicaram uma tarifa de 25% contra certos produtos brasileiros. Essa medida é resultado de uma investigação que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou o primeiro "tarifaço" de 50% contra o Brasil, em julho de 2025.
No começo de junho deste ano, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs a imposição da alíquota no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Essa ferramenta de política comercial permite aos EUA investigar e retaliar outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
Mesmo após uma série de audiências públicas em que a sociedade civil se expressou contra o "tarifaço", o USTR determinou que políticas do governo brasileiro geram insegurança jurídica e competição desleal aos "players" dos EUA. As políticas em questão abrangem comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal.
A segunda medida, efetivada no último dia 24, é uma tarifa de 12,5% aplicada contra países que, segundo o USTR, teriam falhado na adoção e aplicação de "proibições à importação de produtos que são fruto do trabalho forçado".
Para alguns produtos, ambas as tarifas se somam, totalizando uma alíquota de 37,5%. Essa porcentagem vai recair sobre 16,5% da pauta exportadora brasileira aos EUA, conforme cálculo do governo.
Alckmin defendeu que o Brasil tem buscado abrir seu comércio e reforçar o multilateralismo. "Temos que trabalhar com valores e princípios", disse Alckmin a jornalistas após um evento de negócios entre empresários brasileiros e da Coreia do Sul.
Carne e minerais críticos foram alguns dos setores citados pelo vice-presidente com forte potencial na relação com a Coreia do Sul. Segundo Alckmin, a expectativa do governo é de dobrar em até dois anos o comércio com o país asiático.
"Vivemos tempos de fragmentação, de tarifas, de incerteza nas cadeias de suprimento. Brasil e Coreia do Sul são duas democracias abertas, comprometidas com o multilateralismo e comércio internacional baseado em regras. Não é uma opção, aproximar é necessidade estratégica", afirmou mais cedo em discurso na abertura da mesa de negócios.
O vice-presidente ainda relatou que a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) mapeou 280 oportunidades concretas para produtos nacionais no mercado sul-coreano.
O presidente da agência, Laudemir Müller, reforçou que o mercado norte-americano segue importante para o Brasil, e que o interesse é mútuo em desenvolver a relação comercial. Ainda assim, devido ao "tarifaço", ele contou que a Apex lançará no dia 11 de agosto um plano de diversificação de mercados para apoiar os setores mais afetados pelas novas tarifas.
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