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Irã rejeita proposta de Omã para gestão compartilhada do Estreito de Ormuz

Teerã afirmou que plano não atende aos interesses do país e voltou a defender o controle da principal rota de transporte de petróleo da região

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Navios no Estreito de Ormuz • Reprodução / @Centcom

O governo do Irã rejeitou a proposta de Omã para criar uma gestão compartilhada do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. A informação foi confirmada por uma autoridade iraniana à agência Reuters nesta quarta-feira (29).

A proposta apresentada por Omã buscava reduzir as tensões na região e retomar a normalidade da navegação no estreito, afetada desde os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, em fevereiro.

Pelo plano, o Irã dividiria a administração da hidrovia com Omã, em um modelo semelhante ao adotado no Estreito de Malaca, no Sudeste Asiático. A iniciativa também previa contribuições voluntárias das embarcações para financiar serviços de navegação, proteção ambiental e operações de resgate.

Segundo a autoridade iraniana, porém, a proposta não atende aos interesses de Teerã. O governo iraniano defende que toda a rota de entrada no estreito e parte da rota de saída continuem sob seu controle e considera inviável um modelo de administração dividido igualmente entre os dois países.

Ainda de acordo com a fonte ouvida pela Reuters, Estados Unidos e Arábia Saudita estariam pressionando Omã a insistir na proposta, classificada pelo Irã como um plano "irreal".

Guarda Revolucionária diz ter interceptado petroleiros

Também nesta quarta-feira (29), a Guarda Revolucionária do Irã informou que interceptou três petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz. Segundo o comunicado, as embarcações foram obrigadas a parar depois de ignorarem alertas por utilizarem uma rota considerada "ilegal e insegura" por Teerã.

A corporação afirmou ainda que mantém controle total sobre a hidrovia e advertiu que qualquer interferência militar dos Estados Unidos na região receberá resposta.

A Reuters informou que não conseguiu verificar de forma independente a versão apresentada pela Guarda Revolucionária.

Entenda o impasse

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é considerado estratégico para o comércio mundial de energia. Antes da escalada do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam pela região.

Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em fevereiro, Teerã restringiu a navegação no estreito. Um acordo firmado entre os dois países no mês passado permitiu a reabertura parcial da passagem, mas as negociações fracassaram no início de julho, quando o Irã voltou a atacar embarcações que utilizavam um canal de navegação não reconhecido pelo governo iraniano.

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