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Casa Rosada recebeu alerta do Itamaraty sobre 'linha vermelha' em discursos de Milei

Diplomacia brasileira havia avisado à Casa Rosada que ofensas pessoais ao presidente e a outras autoridades seriam consideradas um limite nas relações entre os dois países

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Itamaraty alerta que brasileiros têm sido vítimas de tráfico de pessoas no Sudeste Asiático • Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) havia alertado o governo da Argentina para evitar ataques pessoais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes mesmo do discurso do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25).

Segundo informações de bastidores, a diplomacia brasileira informou à Casa Rosada que ofensas direcionadas a Lula ou a outras autoridades brasileiras, especialmente em território nacional, seriam consideradas uma "linha vermelha" e poderiam provocar uma crise diplomática entre os dois países.

Ao mesmo tempo, o governo brasileiro sinalizou que discursos em defesa da liberdade de expressão, do livre mercado, críticas ao socialismo e manifestações de apoio à direita brasileira não seriam vistos como um problema.

Esses recados chegaram ao governo argentino por meio de interlocutores, às vésperas da edição de 2024 da CPAC, evento conservador realizado em Florianópolis. Na ocasião, Milei fez críticas ao socialismo, mas não citou Lula. O presidente argentino também se reuniu com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, naquele momento, ainda não havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na época, o Itamaraty avaliou que a estratégia havia evitado um agravamento da relação entre os dois países. O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, chegou a ser chamado para consultas em Brasília, mas retornou pouco tempo depois à capital argentina.

Mesmo com o distanciamento político entre Lula e Milei, o governo brasileiro entendia que a relação comercial e econômica seguia preservada. Reuniões oficiais continuaram acontecendo, incluindo visitas dos ministros da Defesa, José Múcio Monteiro, e da Agricultura, André de Paula, à Argentina.

A situação, no entanto, mudou após o discurso de Milei na convenção do PL que confirmou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Durante o evento, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário" e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, como "lixo careca".

Após a declaração, o embaixador Julio Bitelli foi convocado novamente a Brasília. Desta vez, porém, sem data prevista para retornar a Buenos Aires, o que foi interpretado pelo Itamaraty como um sinal da gravidade da crise diplomática.

O retorno do diplomata à Argentina deve ser discutido nesta quarta-feira (29), em reunião com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O encontro também deve tratar das possíveis respostas do governo brasileiro caso Milei faça novos ataques.

Apesar da tensão, integrantes do Itamaraty afirmam que o objetivo é preservar a relação institucional entre Brasil e Argentina, mantendo o diálogo com empresários, universidades, governos provinciais e outros setores considerados estratégicos para os dois países.

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