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Irã nega negociações de paz com os EUA e mantém bloqueio no Estreito de Ormuz

Teerã classifica declarações de Washington como "invenção" e mantém rota estratégica fechada, enquanto Arábia Saudita intercepta novos ataques com drones

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Bandeiras do Irã e dos EUA
Reprodução / Canva

O governo do Irã negou, nesta segunda-feira (27), que tenha iniciado conversas formais com os Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio. O comunicado ocorre apesar da trégua recente nos combates e de declarações de autoridades americanas que sinalizavam a abertura de um canal de diálogo.

A trégua atual segue um padrão de forte instabilidade na região. Após o cessar-fogo firmado em abril e um protocolo de intenções em junho, as hostilidades haviam sido retomadas no início de julho, antes de uma nova pausa nas ofensivas registrada na madrugada do último sábado.

Sinalizando intenção de diplomacia, o governo americano declarou ter interrompido os ataques para abrir caminho às conversas. "O que o presidente [Donald] Trump faz neste momento é abrir espaço para negociações. As negociações começam", afirmou no domingo (26) o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz.

Teerã acusa EUA de agir como 'grupo mafioso'

A diplomacia iraniana, contudo, rechaçou a versão de Washington. "Os mediadores podem nos transmitir mensagens da parte americana sobre os acontecimentos mais recentes, mas, no momento, não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os Estados Unidos", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei.

Baqaei classificou as afirmações americanas sobre conversas de paz como "invenções" e teceu duras críticas à postura dos EUA, comparando o comportamento de Washington nos últimos anos ao de "um grupo mafioso que não respeita nenhuma norma ou lei".

Tensão no Estreito de Ormuz e bloqueio naval

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com uma ampla campanha de bombardeios promovida por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, já deixou milhares de mortos e provocou forte impacto na economia global devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde transitava cerca de 20% do petróleo e gás do planeta.

Teerã, que busca impor a cobrança de pedágio para a passagem de embarcações no local, confirmou ter realizado reuniões na última semana com o governo de Omã sobre a gestão futura do estreito. O Irã negou qualquer participação americana nessas tratativas e reforçou que a via marítima permanece fechada.

Em retaliação, os Estados Unidos retomaram o bloqueio aos portos iranianos. A TV estatal iraniana informou ainda que a Guarda Revolucionária forçou o retorno de seis navios que tentavam navegar por rotas não autorizadas por Teerã.

Mercado de energia e incidentes no Golfo

Apesar do tom áspero na diplomacia, a pausa pontual nos ataques trouxe um alívio temporário às cotações internacionais do petróleo. O barril do tipo Brent recuou para a casa dos US$ 89,18, enquanto o WTI americano foi negociado a US$ 83,15.

A trégua, porém, segue frágil. Embora as monarquias do Golfo não tenham registrado ataques diretos em seus territórios entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita confirmou, no período da tarde, ter interceptado e destruído múltiplos drones lançados do Iraque contra instalações petrolíferas do país.

*Com informações da AFP

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