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EUA e Dinamarca fecham novo acordo militar para a Groenlândia após meses de impasse

Tratado garante soberania dinamarquesa e autodeterminação local, mas autoriza que forças militares americanas sejam reforçadas no território

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EUA e Dinamarca fecham novo acordo militar para a Groenlândia após meses de impasse
EUA e Dinamarca fecham novo acordo militar para a Groenlândia após meses de impasse • Reprodução/Redes Sociais / Alex Wroblewski/AFP

Donald Trump anunciou, na noite dessa sexta-feira (18), um novo acordo para que seu país seja militarmente responsável pela Groenlândia, território dinamarquês no Ártico. O governo da Dinamarca se expressa cautelosamente otimista, pois continuará no controle da ilha após meses de ameaça do presidente dos Estados Unidos. 

O líder do governo da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, que se opôs às ameaças de Trump no início do ano de tomar a ilha à força, manifestou satisfação com o acordo, destacando que o tratado beneficia a segurança coletiva e o desenvolvimento do país.

O ministro das Relações Exteriores da Groenlândia, Múte B. Egede, também se expressou positivamente ao dizer que “agora temos um acordo ao nosso alcance”. O ativista e defensor da soberania local, Orla Jorelson, escreveu em suas redes sociais que a luta contra a ambição de Trump de tomar a Groenlândia foi vencida.

"O novo acordo reconhece explicitamente a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca e o direito do povo groenlandês à autodeterminação", acrescentou o ativista.

O território dinamarquês faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar e política internacional que garante a liberdade e a segurança dos países membros por meio de forças armadas. O presidente do Comitê Militar da Otan, almirante Giuseppe Cavo Dragone, afirmou, neste sábado (19), que o acordo é muito bem-vindo. “Temos muitas atividades acontecendo ali do ponto de vista militar. Então, militarmente falando, estamos cuidando muito bem daquela área”, declarou.

Uma das razões de Trump desejar a anexação do território Groenlandês surge por sua localização estratégica, entre a Europa e a América do Norte, e pelo fato de a ilha, 80% coberta por gelo, possuir uma vastidão de minérios. Os Estados Unidos expressam interesse em expandir a presença militar, incluindo a instalação de radar para monitorar as águas entre a ilha e os litorais continentais.

O anúncio do acordo pode destacar uma conquista de política externa antes das eleições de meio mandato nos EUA. 

Devido às ofensivas dos EUA, a Dinamarca e a Groenlândia defenderam repetidamente, ao longo do ano, autonomia da ilha e negaram que o território americano estivesse coletando informações de inteligência no local. A Rússia e grande parte da Europa se opuseram fortemente à pressão norte-americana.

O acordo

A Dinamarca e os EUA já possuem um acordo de segurança militar de longa data, que permite às forças americanas manterem bases na ilha. No entanto, não está claro em que medida este novo acordo difere do anterior. 

Os governos da Dinamarca e da Groenlândia ainda não confirmaram detalhes específicos do tratado, mas segundo informado por um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, o acordo:

  • Proíbe a instalação de bases que não sejam da Otan na Groenlândia;
  • Limita a capacidade de adversários realizarem investimentos na região;
  • Garante que a China e a Rússia não podem estabelecer bases na ilha.

Após o anúncio de Trump, o gabinete da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, informou que o acordo será assinado pelos três governos durante a Assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece na próxima semana em Nova York, nos Estados Unidos.

Trump afirmou também que seu governo iniciou imediatamente o processo de desenvolvimento de uma presença militar no território dinamarquês. No entanto, ainda são necessárias medidas parlamentares por parte dos outros dois governos antes que o acordo possa de fato entrar em vigor.

Autoridades dos três países negociaram discretamente durante meses, buscando soluções para abordar algumas das preocupações de Trump em relação à segurança do território. 

Os EUA mantiveram várias bases militares em território ártico durante a Guerra Fria, antes de reduzirem sua presença. 

No início do ano passado, Trump havia pedido à Dinamarca que vendesse a ilha aos EUA, argumentando a importância da Groenlândia para a segurança americana. Apesar de serem países aliados, ele fez questão de não descartar a possibilidade de tomar a ilha por força militar.

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Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.

 

 

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