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Taça da Copa passa pelo Planalto e Lula reforça discurso contra o feminicídio

Presidente recebeu o troféu ao lado de campeões mundiais e aproveitou para defender legado para o futebol feminino, além de cobrar da sociedade uma mobilização contra a violência de gênero

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Ao lado de Cafu e Formiga, Lula recebe troféu e defende legado social e esportivo
Ao lado de Cafu, Lula recebe troféu e defende legado social e esportivo • Valter Campanato/Agência Brasil

A taça da Copa do Mundo encerrou a passagem pelo Brasil nesta quinta-feira (26), com uma parada simbólica no Palácio do Planalto, em Brasília. O troféu foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma cerimônia que reuniu campeões mundiais, ministros e autoridades, e que acabou ganhando um tom que foi além da celebração esportiva.

Estiveram presentes nomes históricos da Seleção Brasileira, como Cafu, Branco, Pepe, Jairzinho e Edmílson. A ex-jogadora Formiga, recordista em participações em Copas do Mundo, também participou do evento. Entre as autoridades, acompanharam a solenidade o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; o ministro do Esporte, André Fufuca; o ministro do Trabalho, Luiz Marinho; e o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.

Durante a cerimônia, Lula relembrou o histórico do Brasil nas Copas e comentou o jejum de títulos da Seleção masculina, que em 2026 chegará a 24 anos. Demonstrando confiança, afirmou: “Conversei com o Ancelotti e achei ele uma figura extremamente séria, com a cabeça no lugar. E quando um técnico tem seriedade, normalmente os jogadores sabem que têm responsabilidade. Então estou convencido de que vamos ganhar essa Copa”.

Ao falar sobre o futebol feminino, o presidente destacou a desigualdade de tratamento entre homens e mulheres no esporte. “É que o futebol hoje virou a máquina de fazer dinheiro como jamais se imaginava que fosse acontecer. Jamais se imaginava. Ou seja, e eu acho que as mulheres têm que entrar nesse ritmo. As mulheres têm que entrar nesse ritmo e elas têm que ser respeitadas não apenas no Brasil, no mundo inteiro”, disse.

Ele também criticou a diferença salarial e de reconhecimento. “É um disparate a valorização do jogador masculino e a desvalorização da jogadora mulher. É um disparate. Ou seja, esse é um processo, sabe, que é o chamado preconceito de gênero. É, na verdade, a diferença que existe na sociedade machista no tratamento que dão para as mulheres, porque elas mereciam ganhar um pouco mais, porque são profissionais, vivem disso, cuidam da família jogando futebol, e eu acho que essa Copa do Mundo é um alento para que a gente possa, depois da Copa do Mundo, sair com as mulheres muito mais valorizadas.”

Lula ainda fez referência à Copa de 2014 e defendeu que o Mundial feminino de 2027 seja marcado por respeito e lembrou um momento em que a ex-presidente Dilma Roussef sofreu ataques durante a Copa de 2014. “Mas da Copa Feminina temos que não redimir do que aconteceu em 2014. Nós temos que fazer disto uma festa. Eu não esqueço nunca, Cafu, a grosseria da torcida xingando a Dilma. Eu não esqueço. Era uma coisa que eu jamais imaginei ver numa festa que o Brasil estava organizando, em que a gente fazia a abertura de uma Copa do Mundo, que a última tinha sido em 1950, as pessoas tratarem uma presidenta com o desrespeito que trataram a Dilma.”

Cafu também destacou o papel do futebol como instrumento de união e valorizou a conquista da sede do Mundial feminino. “E essa coisa chamada bola de futebol nos une de uma maneira que vocês não têm ideia. É o único esporte que não tem religião, que não tem partido político e que não tem desigualdade social, onde todo mundo fala com todo mundo com o único objetivo, a paixão, a paixão que é o futebol. A Copa do Mundo feminina aqui no nosso país, que pela primeira vez na história, as nossas meninas que fizeram história lá atrás, Formiga, em uma época difícil, onde o futebol feminino era criminalizado, onde as nossas meninas não eram valorizadas, vocês foram as nossas guerreiras e nos trouxeram essa Copa do Mundo aqui para o Brasil.”

Após a passagem por Brasília, a taça segue para a América do Norte. A Copa de 2026 será disputada por Estados Unidos, Canadá e México e terá formato inédito, com 48 seleções.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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