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Deputado alvo da PF ampliou patrimônio em 665% em dois anos

Investigação sobre contratos sob suspeita no RJ cita evolução patrimonial de Marcelo Queiroz e aponta indícios de fraudes, lavagem de dinheiro e direcionamento de licitações

O Dep. Marcelo Queiroz (PSDB-RJ)
O Dep. Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) • Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Uma investigação conduzida pela Polícia Federal sobre supostas fraudes em contratos públicos do governo do Rio de Janeiro aponta que o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) teve crescimento patrimonial de 665% entre as eleições de 2022 e 2024.

A suspeita da Polícia Federal é que aumento patromonial seja fruto do direcionamento de licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo contratos da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Rio (SEAPPA) durante o período em que Marcelo Queiroz comandou a pasta.

Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou mandados de busca e apreensão contra o parlamentar nesta terça-feira (12), Marcelo passou a declarar R$ 7,6 milhões em bens, incluindo imóveis, veículos e investimentos.

A decisão registra que o aumento patrimonial pode ter sido influenciado pela morte do pai do deputado, em abril de 2023, em razão de eventual herança. Ainda assim, a PF afirma haver elementos suficientes para aprofundar as apurações.

O foco central da investigação é a empresa Consuvet, contratada para serviços ligados ao programa estadual RJPET, de castração e bem-estar animal. Segundo a Procuradoria-Geral da República, a empresa foi criada em julho de 2021 com capital social de R$ 20 mil e, em poucos meses, passou a firmar contratos milionários com o governo estadual. O volume total dos contratos chegou a R$ 193 milhões até 2023.

Para a PF, as primeiras irregularidades ocorreram ainda na gestão de Marcelo Queiroz na secretaria. Os investigadores afirmam que aditivos contratuais foram assinados “sem fundamentação técnica”, elevando os valores pagos à empresa.

Na representação enviada ao STF, a PF afirma que o deputado “tinha ciência das irregularidades perpetradas no seio do órgão público” e sustenta que ele “contribuiu ativamente para a dinâmica criminosa”.

A investigação também cita tentativa de ocultação de provas durante operação da Polícia Civil no fim de 2024. Segundo os autos, o celular da ex-subsecretária Camila Costa da Silva teria sido levado para a casa de Anna Caroline Vianna Dupret dos Santos, que teria se recusado a entregar o aparelho aos policiais e apresentado versões contraditórias sobre sua localização.

No pedido de autorização feito pela PF ao STF, os investigadores sustentam que a secretaria foi “dominada por uma verdadeira organização criminosa” voltada ao favorecimento da Consuvet em licitações públicas.

O deputado foi procurado para comentar a operação desta terça-feira, mas ainda não se manifestou.