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STF rejeita denúncia por troca de ofensas entre deputados em podcast

Julgamento terminou empatado, e aplicação do princípio favorável ao réu levou à rejeição da queixa-crime

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Ministros Alexandre de Moraes, Carmen Lúcia, o PGR Paulo Gonet e o presidente da Primeira Turma do STF, Flávio Dino, durante julgamento do núcleo 4 • LUIZ SILVEIRA/STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (28) rejeitar a denúncia apresentada pelo deputado federal Gustavo Gayer contra o deputado federal José Nelto por supostos crimes de injúria e calúnia.

O caso teve origem em declarações feitas por Nelto, em 2023, durante participação no podcast “Papo de Garagem”. Na ocasião, ao ser questionado sobre adversários políticos, o parlamentar afirmou não ter inimigos, mas “adversários idiotas, fascistas, nazistas”, citando diretamente o nome de Gayer.

Posteriormente, Gustavo Gayer participou do mesmo programa e respondeu às declarações, também com termos ofensivos.

O julgamento terminou empatado em 2 votos a 2. Diante disso, o presidente da Turma, ministro Flávio Dino, aplicou o princípio previsto no Código de Processo Penal que determina a adoção da decisão mais favorável ao acusado.

A relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, havia votado pelo recebimento da queixa-crime, por entender que havia elementos suficientes para a abertura de ação penal pelos crimes de calúnia e injúria. O ministro Flávio Dino acompanhou parcialmente esse entendimento, apenas em relação à calúnia.

Após pedido de vista, o ministro Alexandre de Moraes abriu divergência. Ele afastou a configuração de calúnia ao considerar que as falas não apresentavam descrição específica de um fato criminoso, o que inviabilizaria o enquadramento jurídico.

Ainda segundo Moraes, o episódio poderia ser interpretado como injúria recíproca, hipótese que permite a aplicação da chamada “retorsão imediata” — quando há troca de ofensas entre as partes. Nesses casos, a legislação admite que não haja punição.

O ministro Cristiano Zanin acompanhou a divergência e destacou que os dois parlamentares participaram juntos de outro programa, permanecendo lado a lado por cerca de duas horas em um ambiente de confronto verbal. Para ele, o contexto reforça a ausência de uma ofensa individualizada que justificasse punição.

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Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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