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Nikolas reúne assinaturas para PEC que cria regime automático de ajuste fiscal

Proposta de Nikolas Ferreira cria novo regime de ajuste fiscal na Constituição, prevê cortes automáticos de gastos, redução de salários de autoridades e responsabilização por descumprimento das regras

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Deputado federal Nikolas Ferreira • Itatiaia

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Responsabilidade, apresentada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), já está reunindo assinaturas para começar a tramitar na Câmara dos Deputados. A iniciativa pretende alterar a Constituição para criar um regime automático e progressivo de ajuste fiscal, acionado sempre que indicadores das contas públicas ultrapassarem limites estabelecidos pelo texto.

Segundo o parlamentar, a proposta parte da avaliação de que o atual modelo fiscal brasileiro depende excessivamente da vontade política dos governantes e não possui mecanismos automáticos capazes de impedir o crescimento contínuo da dívida pública. A intenção é transformar o equilíbrio das contas em uma obrigação constitucional, com aplicação imediata, sem necessidade de regulamentação posterior.

Na justificativa da PEC, Nikolas afirma que o objetivo é impedir que déficits sucessivos e o aumento permanente da dívida comprometam a capacidade do Estado de financiar serviços essenciais como saúde, educação, segurança pública e previdência.

Como a PEC funcionaria

A proposta cria um novo artigo na Constituição estabelecendo um regime temporário e progressivo de ajuste fiscal. O mecanismo seria acionado automaticamente caso ocorra uma das seguintes situações por dois exercícios financeiros consecutivos:

  • descumprimento da meta de resultado primário prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO); ou
  • aumento da relação entre dívida bruta do Governo Federal e Produto Interno Bruto (PIB) em pelo menos cinco pontos percentuais.

A apuração seria feita com base nos dados oficiais publicados pelo governo, vedando qualquer exclusão, abatimento, compensação ou tratamento contábil que altere artificialmente o cálculo das receitas e despesas. O Tribunal de Contas da União (TCU) seria responsável por reconhecer oficialmente a ocorrência das hipóteses que acionariam o regime.

Gatilhos entram em vigor automaticamente

Uma das principais mudanças propostas é a aplicação imediata dos gatilhos fiscais, sem necessidade de nova lei ou decisão do governo.

Entre as medidas previstas estão:

  • congelamento das despesas discricionárias não destinadas a serviços essenciais;
  • suspensão de vantagens consideradas não indispensáveis para autoridades;
  • redução de 25% dos subsídios de deputados federais, senadores, presidente da República, vice-presidente e ministros de Estado;
  • proibição de reajustes salariais e criação de novos benefícios para essas autoridades.

Caso o desequilíbrio permaneça no exercício seguinte, a redução dos subsídios passaria para 50%, além da suspensão da obrigatoriedade de execução de programações orçamentárias não vinculadas a serviços essenciais.

Serviços essenciais ficam protegidos

A PEC estabelece que determinadas áreas permaneceriam preservadas mesmo durante o regime de ajuste.

Entre elas estão:

  • saúde;
  • educação;
  • segurança pública;
  • benefícios previdenciários;
  • assistência social;
  • pagamento da dívida pública.

O texto também determina que o regime não poderá ser aplicado durante estado de defesa, estado de sítio ou calamidade pública de âmbito nacional reconhecida pelo Congresso.

Responsabilização

Outro eixo da proposta é a responsabilização de autoridades pelo descumprimento das regras fiscais. A PEC tipifica como crime de responsabilidade a fraude, obstrução ou descumprimento das medidas previstas no novo regime. Segundo o texto, a responsabilização recairia sobre quem tiver dever de executar a política fiscal, como presidente da República, vice-presidente e ministros de Estado, preservando a imunidade parlamentar quanto ao exercício do voto de deputados e senadores.

Na justificativa, Nikolas sustenta que a proposta não busca punir parlamentares por decisões legislativas, mas responsabilizar agentes do Executivo encarregados da execução orçamentária.

Base da proposta

Ao defender a iniciativa, Nikolas Ferreira afirma que o sistema atual cria incentivos para que governos ampliem despesas sem arcar diretamente com as consequências fiscais. Segundo ele, a PEC busca inverter essa lógica ao estabelecer regras automáticas, objetivas e constitucionais para conter o crescimento da dívida pública.

O texto argumenta que o verdadeiro problema fiscal brasileiro está no crescimento contínuo dos gastos públicos e não na arrecadação. Por isso, todas as medidas de ajuste recaem sobre a contenção das despesas, e não sobre o aumento de tributos.

Na justificativa, o deputado cita economistas como Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Milton Friedman, James Buchanan, Thomas Sowell e utiliza como exemplo recente o ajuste fiscal promovido pelo governo do presidente argentino Javier Milei para defender mecanismos permanentes de controle das contas públicas.

Próximos passos

Com o número mínimo de assinaturas alcançado, a PEC poderá ser protocolada oficialmente na Câmara. A proposta ainda precisará passar pela análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por uma comissão especial e, posteriormente, ser aprovada em dois turnos pelo plenário da Câmara e do Senado, com apoio de três quintos dos parlamentares em cada votação, antes de poder ser promulgada.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

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