Haddad questiona Tarcísio sobre presença do Comando Vermelho em São Paulo em debate
Candidato do PT apresentou proposta de novo boletim de ocorrência e disse que Tarcísio nega presença do CV; atual governador citou queda nos indicadores de criminalidade no estado

Fernando Haddad (PT) trouxe uma discussão sobre segurança pública para que o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), respondesse. O petista perguntou se o governador continuaria negando a presença da facção carioca conhecida como Comando Vermelho em algumas regiões do estado, como Piracicaba e Rio Claro. Esse foi o primeiro tema abordado no debate promovido pela TV Globo São Paulo com os candidatos ao governo do estado, exibido nesta quarta-feira (29).
Tarcísio começou sua resposta citando a atuação de combate que sua gestão fez ao Primeiro Comando da Capital (PCC), facção com atuação majoritária em São Paulo. Citou também a melhora nos indicadores criminais, como homicídio e latrocínio, no estado de São Paulo, e destacou as operações constantes como principal motivo dessa melhora.
Sobre a região de Piracicaba, o atual governador admitiu que existiam atividades criminosas parecidas com a atividade da milícia, praticando o chamado “novo cangaço” e com ligações com o Comando Vermelho. Logo depois, deixou claro que a situação foi controlada graças ao contingente das polícias Militar e Civil do estado que atuaram com eficácia para cessar as atividades do chamado “bonde do magrelo”.
Fernando Haddad, então, retomou a palavra e levantou dados de aumento no número de feminicídios em São Paulo. Além disso, criticou a postura do governador a respeito da valorização das carreiras dos policiais, argumentando que seus reajustes salariais não são suficientes e as delegacias estão sucateadas.
Tarcísio rebateu citando que houve aumento de 35% nos salários de policiais nos últimos quatro anos, e que reviu a carreira dos policiais penais, integrando os agentes de escolta e vigilância nessa classe. Ele também reforçou a criação de novos concursos durante sua gestão, aumentando a tropa policial em mais de 16 mil agentes, e autorizou que o número possa chegar a 30 mil com a criação de novas vagas. Sobre o aumento do feminicídio, Tarcísio defende que isso é uma tendência nacional, não só do estado de São Paulo.
Como proposta para a segurança pública, Haddad citou de exemplo seu plano para criar uma agência anti-facção no estado. Ele aposta na presença da Polícia Federal e da Receita Federal como aliados no combate e asfixia econômica das facções, pregando integração entre a federação e a União, sem disputa de protagonismo nesse processo. A outra proposta citada pelo ex-ministro da Fazenda do governo Lula foi a possibilidade de realizar um boletim de ocorrência pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, utilizando inteligência artificial para cruzar os dados acumulados por esse novo boletim de ocorrência, o que, segundo o candidato, auxilia o setor de inteligência das polícias.
Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Atuou em assessoria de imprensa no Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) e no setor de apuração da TV Alterosa. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



