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STF decide na quarta se testemunhas de Jeová podem recusar transfusão de sangue; entenda

Corte já tem 5 votos para reconhecer o direito e obrigar o Estado a cobrir gastos médicos para realização de tratamentos alternativos ao procedimento

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Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) julga na quarta-feira (25) se pessoas têm o direito de exigir, com base em suas crenças religiosas, que o governo custeie tratamentos de saúde específicos quando não for oferecido pela rede pública ou que as cirurgias sejam realizadas sem transfusão de sangue.

A Corte analisa dois recursos contra decisões judiciais que envolvem testemunhas de Jeová, cuja religião não permite a transfusão sanguínea.

O placar está em 5 a 0 pelo reconhecimento dos direitos.

Um dos recursos foi apresentado pela União, que foi condenada, juntamente com o Estado do Amazonas e o município de Manaus, a cobrir os custos médicos de um homem que buscou fazer uma cirurgia ortopédica em São Paulo, já que o Amazonas não oferecia a operação sem transfusão de sangue.

O relator do caso e presidente do Supremo, ministro Luís Roberto Barroso, defendeu que se houver possibilidade de tratamento alternativo à transfusão de sangue no Sistema Único de Saúde (SUS), o Estado precisa garantir o acesso ao procedimento, inclusive arcando com o transporte e a hospedagem em outro estado, desde que não seja um custo desproporcional.

Mulher teve cirurgia cancelada

Já o outro recurso foi movido por uma paciente, que é testemunha de Jeová, e teve uma cirurgia cardíaca cancelada pela Santa Casa de Maceió após ela se recusar a assinar um termo de consentimento para eventuais transfusões de sangue durante o procedimento médico.

Ela pede ao Supremo que derrube uma decisão da Justiça de Alagoas que manteve o impedimento por parte da instituição.

“Para que essa liberdade seja significativa, os pacientes devem ter o direito de fazer escolhas de acordo com suas opiniões e valores, independentemente de quanto possam parecer irracionais, imprudentes e ilógicas aos outros”, defendeu o magistrado.

O julgamento dos recursos será retomado com o voto do ministro Nunes Marques.

Os casos têm repercussão geral, ou seja, o que for decidido pelo Supremo servirá como base para que outras instâncias da Justiça possam decidir da mesma forma em processos parecidos.

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Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.

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