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Site oficial da Casa Branca cita sistema eleitoral brasileiro como exemplo

Na descrição de um projeto de lei para restringir acesso ao voto a cidadãos americanos, comunicação oficial do governo Trump cita a biometria utilizada nas eleições brasileiras

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Layout inicial da página sobre o "Save America Act" no site oficial da Casa Branca
Layout inicial da página sobre o "Save America Act" no site oficial da Casa Branca • Reprodução/Casa Branca

O site oficial da Casa Branca cita o sistema eleitoral brasileiro como referência. Em uma aba especialmente dedicada a um projeto de lei que restringe a votação no país aos cidadãos reconhecidos, a comunicação institucional faz uma referência ao uso da tecnologia da biometria no país sul-americano.

 

Uma página inteira do site oficial do governo americano gerido por Donald Trump é dedicada ao chamado “Save America Act”, nome do projeto de lei aprovado pela câmara dos Estados Unidos em fevereiro deste ano e em discussão no Senado.

 

No texto do site, a ideia é clara e imperativa: “Aja agora! Os cidadãos americanos — e somente os cidadãos americanos — devem decidir as eleições americanas”, diz o texto em tradução livre.

 

A página diz que o texto é um projeto de lei bipartidário que cria as seguinte exigências aos eleitores: ter um documento de identidade válido antes de se registrar para votar em uma eleição federal; comprovação de cidadania; proibição de votos por correio (exceto em casos de doença, deficiência, serviço militar ou viagem).

 

“O presidente está convocando republicanos e democratas a aprovarem o Save America Act. A exigência de documento de identidade para votar deveria ser algo a que NENHUM americano deveria se opor. Se você quiser se registrar para votar nos Estados Unidos, precisa ser cidadão americano. O Save America Act determinará que os estados removam os não cidadãos dos cadastros eleitorais. Os EUA estão atrasados ​​em relação a outras nações na aplicação de proteções eleitorais básicas e necessárias”, diz o texto antes de citar exemplos de outros países.

 

A Justiça Eleitoral brasileira encabeça a lista de boas referências para os americanos:  “A Índia e o Brasil vinculam o documento de identidade do eleitor a um banco de dados biométrico, enquanto os Estados Unidos dependem, em grande parte, da autodeclaração de cidadania”.

 

Também são referenciados como bons exemplos práticas seguidas por Alemanha, Canadá, Dinamarca e Suécia.

 

Em uma contramão elogiosa, o sistema de votação americano com cédulas de papel é uma das bandeiras mais recorrentes no discurso da direita brasileira alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus filhos, todos politicamente próximos a Trump e com histórico de críticas às urnas eletrônicas em vigor no Brasil.

 

A página sobre o Save America Act tem a mesma estética de todo o site da Casa Branca sob Trump e aposta na propaganda com lemas e elementos nacionalistas. Nesse caso específico, antes de ler o texto que explica o conteúdo do projeto de lei, quem visita a aba precisa rolar pela clássica gravura do Tio Sam, oriunda da Guerra de Independência Americana, com a inscrição “SAVE OUR ELECTIONS”.

A página vai na ideia de toda a comunicação oficial do governo americano, que segue uma linha pouco ortodoxa. O site da Casa Branca tem entre seus serviços um index de veículos jornalísticos considerados enviesados com um hall of shame (algo como um salão da vergonha) para jornalistas e emissoras consideradas detratoras do governo Trump.

 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.