Com crítica a Lula, Caiado descarta retaliação aos EUA sobre tarifas impostas por Trump
Nome do PSD para disputa presidencial de 2026, político goiano fala sobre como conduziria negociações com líder norte-americano caso fosse eleito

O ex-governador de goiás Ronaldo Caiado (PSD) não poupou críticas à diplomacia brasileira em entrevista à Globonews, nesta sexta-feira (7). Ao comentar a postura do país nas conversas com os Estados Unidos, após as tarifas impostas pela administração de Donald Trump, o presidenciável indicou que buscaria um caminho menos conflituoso caso chefiasse o Executivo.
O médico se referiu ao Itamaraty como “braço ideológico do PT” e desaprovou declarações do presidente Lula (PT) em episódios relacionados a atritos diplomáticos envolvendo Argentina, Estados Unidos e Paraguai.
“O nível de um Presidente da República, precisa da liturgia do cargo. Precisamos buscar novamente essa capacidade de renegociar e não ficar com esse negócio de um xinga o outro”, disse.
Perguntado se responderia às tarifas dos Estados Unidos de maneira incisiva, Caiado negou veementemente a possibilidade e questionou: “Retalhar os americanos? E acabar com os restos das exportações que nós temos e perder todos os investimentos dos americanos? Alguém de cabeça sã falaria uma asneira dessas?”
O candidato explicou que buscaria levar à mesa de negociação com os norte-americanos o protagonismo mineral que o Brasil tem no mundo e novamente criticou o atual presidente.
“Alguém no mundo tem o que eu tenho, em termos de terras raras pesadas? Alguém no mundo tem o nióbio que eu tenho? Se eu fechar as minas de Goiás e Minas Gerais, hoje, ninguém produz aço no mundo. O Presidente da República não sabe nem negociar, porque não tem o mapeamento do subsolo brasileiro. Ele não tem capacidade de fazer isso” afirmou.
Quem é Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD?
Aos 76 anos, Ronaldo Caiado é um dos nomes mais experientes da direita brasileira, conhecido por defender os interesses dos proprietários rurais e por um longo histórico de oposição ao PT no Congresso Nacional.
Médico especializado em ortopedia, ele acumula cinco mandatos como deputado federal por Goiás, um como senador e dois como governador do mesmo estado.
Natural de Anápolis (GO), o político ganhou notoriedade na década de 1980 como presidente da União Democrática Ruralista, no contexto das discussões que mais tarde resultaram na Constituição Federal de 1988.
No ano seguinte à promulgação da Carta Magna, Caiado chegou a disputar a Presidência da República, mas recebeu apenas 0,72% dos votos. Após 37 anos, ele retorna ao pleito buscando se consolidar como terceira via em relação às duas figuras que lideram as principais pesquisas: Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
Com Gilberto Kassab (PSD) como vice de chapa, o médico tem a segurança pública como principal pauta da sua candidatura. Ele defende, por exemplo, a equiparação das facções criminosas brasileiras a organizações terroristas e a redução da maioridade penal para crimes específicos.
Caiado também é crítico do governo Lula no que diz respeito à política fiscal. O plano de gestão do goiano visa à estabilização da dívida pública, revendo benefícios tributários, mas mantendo a capacidade de investimento do Estado.
Jornalista formado pela UFMG e com MBA em Marketing pela PUCRS. Tem passagens por Esportudo, GRV Media e Grupo Globo, com coberturas relacionadas a esportes eletrônicos, futebol, MMA, basquete e atualidades.



