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Silvio Almeida sobre pedido de impeachment: 'documento vergonhoso'

O ministro dos Direitos Humanos participa de audiência pública nesta terça (5), na Câmara dos Deputados

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O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida • Renato Araújo/Câmara dos Deputados

O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, afirmou nesta terça-feira (5) que a convocação dele por diversas comissões da Câmara dos Deputados para que seja esclarecido o pagamento de passagens e diárias para Luciane Barbosa Farias, esposa de um suposto líder do Comando Vermelho no Amazonas, é “uma tentativa de requentar o assunto para atacar o governo”.

Luciane Barbosa participou de agendas no Ministério da Justiça e Segurança Pública, em outubro, com passagens e diárias pagas com recursos do MDH. Silvio Almeida disse, em audiência na Câmara, que a agenda de Luciane Barbosa foi marcada antes da condenação dela na Justiça, e que ela foi indicada pelo Comitê Nacional de Prevenção e Combate à tortura do estado do Amazonas.

“No encontro referido, no qual participou a mencionada senhora, que eu nunca vi e com a qual eu nunca me reuni, foram os comitês estaduais que indicaram os seus representantes. Mesmo que o ministério contasse com qualquer serviço de inteligência, o nome da referida senhora foi recebido no dia 3 de outubro pelo ministério (dos Direitos Humanos), e ela só veio a sofrer condenação no dia 8 de outubro. Trata-se, portanto, de questão já esclarecida. Considero, com o devido respeito, que se tenta requentar artificialmente um assunto para tentar prejudicar o governo”, declarou o ministro.

O ministro Silvio Almeida criticou os pedidos de impeachment que foram protocolados contra ele, incluindo um documento que foi endereçado ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). “Trata-se de um pedido constrangedor. Não é constrangedor para mim. É constrangedor para quem fez e assinou. O documento é simplesmente vergonhoso. Uma peça jurídica de quinta categoria. Se fosse uma prova da OAB, a pessoa não passaria”, afirmou Silvio Almeida.

Luciane Barbosa Farias é esposa de Clemilson dos Santos Farias, apontado pela polícia como um dos líderes do Comando Vermelho no Amazonas. Ela participou de audiências com os secretários de Assuntos Legislativos, Elias Vaz, e de Políticas Penais, Rafael Velasco, ambos do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

As comissões de Comissão de Fiscalização Financeira e Controle; e de Segurança Pública realizam a audiência pública, atendendo a requerimento de nove deputados de oposição ao governo: Kim Kataguiri (União-SP), Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Carlos Jordy (PL-RJ), Marcos Pollon (PL-MS), Junio Amaral (PL-MG), Helio Lopes (PL-RJ), Adriana Ventura (Novo-SP), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Gilson Marques (Novo-SC).

Na época em que as agendas de Luciane Barbosa vieram à tona, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, saiu em defesa dos secretários que participaram das reuniões. “Os secretários não sabiam que essa senhora iria lá porque ela acompanhou uma deputada do PSOL do Rio de Janeiro. Ela foi recebida em março, a condenação dela foi em outubro. Quando você olha essa história, não sobra rigorosamente nada”, ponderou Dino.

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Repórter da Itatiaia desde 2018. Foi correspondente no Rio de Janeiro por dois anos, e está em Brasília, na cobertura dos Três Poderes, desde setembro de 2020. É formado em Jornalismo pela FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso), com pós-graduação em Comunicação Eleitoral e Marketing Político.