Silas Malafaia vai à Câmara e diz que Lula e Janja ‘não têm moral’ para falar sobre aborto
Pastor ligado ao autor do PL 1904/2024, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), defendeu a proposta e disse que texto obedece critérios técnicos e não religiosos

A bancada evangélica e deputados de oposição organizaram uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (19) para desmentir o que eles chamam de "fake news" informações veiculadas a respeito do PL 1904/2024, chamado de PL do Aborto.
A proposta que equipara o aborto após 22 semanas com o crime de homicídio - mesmo em casos previstos por lei - tem sido criticado por nomes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-dama Janja por trazer uma pena maior para a mulher do que para os autores de estupro.
Presente na Câmara para reforçar a defesa em torno do projeto, o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, criticou quem é contrário à proposta e atacou o presidente e sua esposa.
“Em 2005 saiu essa norma técnica, em que a mulher não precisa denunciar estuprador. Onde existe crime se não há denúncia? Para aprovar qualquer aborto, basta a mulher dizer que foi estuprada”, disse de forma acaloarada. “Cala a boca, Janja! Vocês não têm moral! Lula é um estúpido que está falando. E tem o ditador do Alexandre de Moraes. É uma falácia e narrativa vagabunda e bandida”, disparou o evangélico.
Na terça-feira (18), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) anunciou a criação de um Grupo de Trabalho para discutir o projeto que teve o regime de urgência aprovado na última semana. A previsão é que a proposta seja votada no segundo semestre na Câmara.
Segundo o autor da proposta, deputado Sóstenes Cavalcante, do PL do Rio de Janeiro, a expectativa é que o texto sofra alterações antes da votação.
“Nós agradecemos o tempo que nos deram para votar esse PL. É oportunidade de amadurecer o debate. Queremos endurecer a pena contra estupradores, aprimorar o texto em todos os âmbitos necessários, mas sem abrir mão do cerne, que é a vida do bebê”, concluiu.
Proposta técnica
Ainda segundo o pastor Malafaia, a presença dele na Câmara e a defesa ao projeto não significam que a proposta é embasada em aspectos teológicos, mas sim, científicos.
O argumento do pastor é baseado na norma técnica do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proibiu médicos de realizarem o procedimento da assistolia fetal em gestações com mais de 22 semanas decorrentes de estupro. A portaria do CFM foi suspensa após uma ação do PSOL atendida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
“Quem é que trouxe o questionamento de uma mulher não pode abortar a partir dos cinco meses? Foi pastor? Por algum acaso foi religioso? [Foi o] Conselho Federal de Medicina que baixou uma norma. Por quê? Porque cinco meses e meio em diante o pequeno bebê está pronto para a vida. E só tem duas maneiras de abortar, o que é escondido para enganar a sociedade. Uma por assistolia, que é um método tão cruel que é proibido usar em animais. E o outro, fazer uma cesárea, tirar o bebê vivo e matar ele vivo fora do útero. Será que não é melhor doar?”, pontuou
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



