Belo Horizonte
Itatiaia

Servidor confirma pedido do governo Bolsonaro para monitorar eleitores de Lula: 'desespero'

Clebson Vieira foi é servidor do Ministério da Justiça e foi responsável pelos dados utilizados pela Polícia Rodoviária Federal para mapear a movimentação de eleitores no segundo turno em 2022

Por
Jair Bolsonaro
Tratamento é feito com antibióticos e anti-inflamatórios  • Valter Campanato/Agência Brasil

O servidor Clebson Ferreira de Paula Vieira disse nesta segunda-feira (19) que havia um “desespero” na cúpula do Ministério da Justiça do governo Jair Bolsonaro (PL) durante as eleições de 2022.

O servidor disse ter observado um viés político nos pedidos feitos por Marília e decidiu guardar “provas e elementos” que pudessem ser úteis em alguma apuração sobre o caso.

“O que aconteceu no dia do segundo turno, eu já sabia que ia acontecer, pelo raciocínio. Eu só me reservei a guardar provas e elementos para uma oportunidade como essa aqui agora. Vi que uma habilidade técnica minha foi utilizada para uma tomada de decisão ilegal”, afirmou.

Clebson também informou que houve um pedido para que técnicos do Ministério da Justiça cruzassem dados de zonas eleitorais que estavam dentro do domínio da facção Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, para tentar encontrar uma tendência de apoio a um candidato ou outro nessa área. O resultado, no entanto, foi inconclusivo.

Testemunhas no STF

Ao todo, são 81 testemunhas indicadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelas defesas dos oito réus apontados como participantes do “Núcleo Crucial” da suposta organização criminosa, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Elas devem ser ouvidas entre 19 de maio e 2 de junho.

Bolsonaro é réu, ao lado de 33 pessoas, por tentativa de golpe, abolição do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. A denúncia sustenta que civis e militares agiram de forma coordenada para reverter o resultado eleitoral em 2022.

Por

Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.