Relatora da comissão da CPMI do 8 de janeiro pede reforço na segurança em Brasília após eleições
Eliziane Gama, relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, pede ao Ministério da Justiça ação preventiva e coordenada entre órgãos para planejar segurança em meio à declarações que contestam a lisura do processo eleitoral; segundo ela, apesar do contexto diferente, as falas podem mobilizar grupos contrários à ordem constitucional

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que foi relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, enviou um ofício ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em que solicita medidas preventivas para reforçar a segurança das instituições democráticas após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
O pedido, solicitado nesta terça-feira (27), ocorre em meio a declarações que contestam a legitimidade do resultado eleitoral e a acusações contra a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF), feitas principalmente pelo candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), e pelo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, que afirmou que a eleição brasileira “pareceu fraudada”.
No documento, a senadora alerta que a disseminação de alegações sobre a lisura das eleições pode aumentar a desconfiança nas instituições e mobilizar grupos contrários à ordem constitucional. Ela cita episódios ocorridos após as eleições de 2022, como bloqueios de rodovias, acampamentos em frente a instalações militares e atos de violência em Brasília.
Elizane ressalta que o histórico não significa a eminência de um plano para repetir os ataques, mas ela ressalta que é importante atuar de forma preventiva, especialmente na avaliação de possíveis sinais de risco e na articulação entre os órgãos responsáveis pela segurança.
"Hoje, ainda não vemos uma mobilização comparável àquela de 2022. Mas é justamente por conhecermos essa história que precisamos acompanhar com atenção possíveis ameaças, convocações violentas e ataques às instituições. A democracia brasileira resistiu em 2023. E todos nós temos a responsabilidade de defendê-la permanentemente", defende a senadora maranhense.
No ofício, a senadora pede que o MJ avalie, adote providências e encaminhe a ela as medidas para:
- Monitorar ameaças: identificar possíveis riscos de violência política e ataques às instituições democráticas.
- Integrar informações: fortalecer a comunicação entre os órgãos responsáveis, respeitando os limites legais e o sigilo.
- Acompanhar mobilizações: monitorar convocações que contenham ameaças concretas ou incentivo à violência, preservando o direito a manifestações pacíficas.
- Prevenir ataques: avaliar medidas de proteção às sedes dos Poderes e a outros locais de interesse institucional.
- Investigar atos ilícitos: apurar ou encaminhar às autoridades competentes indícios de financiamento, organização ou execução de ações contra as instituições democráticas.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



