Saiba o motivo do encontro entre Lula e os irmãos Batista no Planalto
Reunião marca o retorno dos donos da JBS - maior empresa de proteína animal do mundo - a sede do Poder Executivo após investigação da Lava Jato

O encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com representantes do agronegócio brasileiro, realizado na tarde de segunda-feira (28), no Palácio do Planalto, marcou a volta dos irmãos Wesley e Joesley Batista à sede do Poder Executivo em agendas oficiais. A dupla ficou conhecida, para além da administração da JBS - maior empresa de proteína animal do mundo -, pela investigação no âmbito da Lava Jato.
Na tarde de ontem, a reunião que ocorreu na presença do presidente, do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e de outros empresários, teve como objetivo definir a doação de carnes para o Rio Grande do Sul, estado atingido por chuvas e enchentes desde o mês passado.
A participação da dupla marca um processo de reaproximação com a política e os negócios da JBS que começou ainda no ano passado, quando ambos integraram a comitiva presidencial em visita oficial à China, em março. Um ano depois, os nomes de Wesley e Joesley foram apresentados para retornar ao conselho da empresa.
Ambos firmaram delação premiada em 2017, após investigação da Lava Jato. Nos depoimentos, que nunca tiveram comprovação, os empresários admitiram o envolvimento do grupo em atos de corrupção e pagamento de propina para campanhas de Lula e Dilma através do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, conseguindo assim facilidade em empréstimos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No ano passado, a 12.ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal absolveu Mantega e o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, das acusações. Segundo a Justiça, as declarações feitas por Joesley foram "genéricas e vazias" e não apresentaram provas das ilicitudes cometidas pelos dois.
Os empresários também estiveram envolvidos na gravação que quase custou o cargo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Joesley chegou a gravar uma conversa com Temer, dentro do Palácio do Alvorada, onde o ex-presidente teria concordado com a tentativa de ‘acalmar’ o ex-deputado Eduardo Cunha. Apesar da investigação, Temer foi absolvido pela Justiça em 2019.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



